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União sem casamento cresce no Brasil: Casar virou coisa do passado?

Censo 2022 do IBGE mostra avanço da coabitação sem casamento; nas ruas, entrevistados citam custo de vida, “teste” de convivência e menor pressão social e religiosa

A coabitação — viver junto sem casar no cartório ou na igreja — ganhou força no Brasil.

Dados do Censo 2022 do IBGE indicam que a união consensual alcançou 38,9% das pessoas de 10 anos ou mais em relação conjugal, ultrapassando pela primeira vez o grupo com casamento civil e religioso, que caiu para 37,9%. Em 2010, essa combinação somava 42,9%.

Outros arranjos também mudaram de peso: casamento apenas civil subiu de 17,2% para 20,5%, enquanto somente religioso recuou de 3,4% para 2,6%.

Ao todo, 51,3% da população de 10 anos ou mais vivia algum tipo de união em 2022 — 90,3 milhões de pessoas em todo o Brasil.

“Casar formalmente é caro”, diz Luciene Longo, analista do IBGE. 

“A gente tem vivido uma mudança comportamental no país (…) Podemos afirmar que a união consensual é um fenômeno mais jovem”, disse ela em entrevista à ‘Folha de São Paulo’.

O que as pessoas dizem nas ruas

A nossa repórter Isa Brittis foi às ruas ouvir por que mais pessoas escolhem morar juntas sem casar. As opiniões foram variadas e refletiram realidades diferentes:

Custo de vida e divisão de despesas

Entrevistados comentaram que “muita gente mora junto para dividir as despesas”, já que morar sozinho está caro.

“Testar” a convivência

Há quem prefira “testar” primeiro como seria a rotina a dois antes de formalizar um compromisso como o casamento.

Menor pressão social e religiosa

Pessoas lembraram que no passado a influência de famílias e da igreja era mais decisiva; “agora mudou, é diferente”, e muitos não veem o casamento como obrigatoriedade.

Menos burocracia, mais flexibilidade

Para parte dos entrevistados, se não der certo, cada um segue a vidasem necessidade de divórcio.

Em comentários de internautas, houve quem resumisse que hoje em dia morar junto virou um passo do namoro, não do casamento”, percepção alinhada a estudos acadêmicos recentes.

Assista ao vídeo abaixo e confira:

Dados que ajudam a entender o movimento

Renda: onde a união consensual é maioria

  • Entre pessoas com até meio salário mínimo per capita, 52,1% estavam em união consensual em 2022.

  • No topo da renda (acima de cinco salários), a coabitação cai para 24,1%, enquanto o casamento civil e religioso atinge 54,3%.

Idade: fenômeno mais jovem

  • Na união consensual, 24,8% têm 20 a 29 anos e 28,5% têm 30 a 39 anos.

  • O casamento civil e religioso tem maior presença entre 60+ (31,8%).

  • A idade média da primeira união subiu para 25 anos em 2022 (26,3 homens; 23,6 mulheres).

 

casamento
Foto: Pexels/Pixabay

Religião: perfis distintos

  • Sem religião: 62,5% em união consensual.

  • Católicos: 40,9% em união consensual; 40% com casamento civil e religioso.

  • Evangélicos: 28,7% em união consensual e 40,9% com casamento civil e religioso — o maior percentual de casamentos tradicionais entre os grupos.

 

Território e recorte racial

  • Amapá tem o maior índice de união consensual (62,6%); Minas Gerais, o menor (29,4%).

  • Entre municípios, os extremos vão de Serrano do Maranhão (81,7%) a Tocos do Moji–MG (11,3%).

  • A coabitação é mais comum entre indígenas (56%), seguida de pretos (46,1%) e pardos (43,8%);

  • O casamento civil e religioso se destaca entre amarelos (48,2%) e brancos (46%).

 

casal gay
Foto: ChatGPT

Casamento ainda importa? O que dizem os entrevistados

Nas conversas de rua, parte do público afirmou que o casamento segue importante como ato formal e religioso para algumas famílias e crenças.

Outros veem a união estável como equivalente prático com direitos garantidos, menos cerimônia e mais foco na vida cotidiana.

Em estudos internacionais, pesquisadores observam que “Morar junto está cada vez mais se tornando uma etapa do namoro e não do casamento” e que

“Eles não consideram [morar junto] uma decisão ou um evento de compromisso em um relacionamento. E isso se tornou cada vez mais real ao longo do tempo.”

Números que resumem o quadro no Brasil

  • 38,9% em união consensual (35,1 milhões de pessoas).

  • 37,9% com casamento civil e religioso (34,3 milhões).

  • 20,5% com casamento apenas civil (18,5 milhões).

  • 2,6% com casamento apenas religioso (2,4 milhões).

  • 51,3% da população de 10+ estão em algum tipo de união.

  • 18,6% já passaram por união e hoje não estão em relação conjugal (divorciados/viúvos).

 

casal
Foto: Jimmy Dean/Unsplash

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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