Morte de mulher arrastada leva polícia a reclassificar crime como feminicídio consumado

Nova tipificação deve resultar em um aumento significativo da pena de Douglas Alves

A morte de Tainara Souza Santos, de 31 anos, levou a Polícia Civil de São Paulo a reclassificar o crime inicialmente tratado como tentativa de feminicídio para feminicídio consumado.

O autor do atropelamento, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, está preso desde o fim de novembro e permanece detido enquanto o caso segue sob investigação.

A informação foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), que atualizou a tipificação após o falecimento da vítima.

Crime passa a ser tratado como feminicídio consumado

Em nota oficial, a SSP-SP informou que, “com o óbito da vítima, a natureza já foi atualizada para feminicídio consumado”.

O inquérito segue em andamento no 73º Distrito Policial, responsável pela apuração do caso.

Até então, Douglas Alves da Silva respondia por tentativa de feminicídio contra Tainara e por tentativa de homicídio contra Lucas, um amigo que estava com ela no momento do atropelamento.

Com a morte da vítima, a acusação relacionada a Tainara foi agravada, enquanto a outra imputação permanece inalterada.

Internação de Tainara durou 25 dias

Tainara morreu 25 dias após o crime, ocorrido em 29 de novembro, após passar por uma série de procedimentos médicos. Inicialmente, ela ficou internada no Hospital Municipal Vereador José Storopolli e, posteriormente, foi transferida para o Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Durante o período de internação, passou por três cirurgias, incluindo amputações das pernas.

Na segunda-feira (22), foi submetida a um novo procedimento para amputação na região da coxa, necessário para a reconstrução dos glúteos, além de uma traqueostomia e uma cirurgia plástica reparadora.

Apesar de ter apresentado melhora em momentos anteriores, o quadro clínico se agravou após a última cirurgia. Por volta do horário do almoço do dia 24, a família foi chamada ao hospital para se despedir.

Tainara faleceu por volta das 19h da véspera de Natal.

Tainara Souza Santos - arrastada São Paulo
Fotos: Reprodução/Redes Sociais

Advogado da família comenta impacto da morte

O advogado da família, Fabio Costa, afirmou que a morte de Tainara representa “uma tristeza muito grande”.

Segundo ele, os familiares aguardavam a recuperação da jovem, que poderia prestar depoimento e ajudar a esclarecer “o que de fato aconteceu naquela noite”.

De acordo com o advogado, a nova tipificação deve resultar em um aumento significativo da pena.

Ele destacou que seguirá acompanhando os familiares em todas as medidas jurídicas e nos trâmites decorrentes do falecimento.

Pena pode ser ampliada pela legislação

A legislação brasileira prevê que a pena para o crime de feminicídio varia entre 20 e 40 anos de prisão, podendo ser ampliada em situações específicas, como quando a vítima deixa filhos.

Tainara era mãe de dois filhos, um menino de 12 anos e uma menina de 7 anos.

Segundo o advogado da família, a soma das acusações pode fazer com que a pena ultrapasse cinco décadas de reclusão, a depender das decisões judiciais ao longo do processo.

Família organiza despedida

Após a confirmação da morte, a família passou a cuidar dos procedimentos legais, incluindo a liberação do corpo e a organização do sepultamento.

O corpo de Tainara está sendo velado nesta sexta-feira (26) no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, na zona leste da capital paulista.

O advogado destacou o impacto emocional da perda ocorrida próxima ao Natal.

Mãe se manifesta nas redes sociais

A mãe da vítima, Lúcia Aparecida da Silva, publicou uma mensagem nas redes sociais lamentando a morte da filha e agradecendo as manifestações de apoio.

Na postagem, ela escreveu:

“Oi, meus amores, boa noite. É com muita dor que venho avisar, que nossa ‘guerreirinha’ Tay nos deixou.

Descansou, agradeço desde já todas as mensagens de oração, carinho e amor que vocês tiveram comigo e pela minha filha.

Ela acabou de partir desse mundo cruel e está com Deus. É uma dor enorme. Mas acabou o sofrimento e agora é pedir por justiça”. 

Confira:

Mãe de Tainara - story após morte filha
Fotos: Reprodução/Redes Sociais

Nota do escritório de advocacia

O escritório de advocacia que representa a família divulgou um comunicado oficial após a confirmação do falecimento de Tainara:

“É com profunda tristeza que informamos que Tainara não resistiu aos ferimentos causados pela brutalidade praticada contra ela no dia 29 de novembro de 2025 e faleceu hoje (24/12) por volta das 19h.

Pedimos que respeitem esse momento delicado da família. Em breve, divulgaremos mais informações. Que Deus conforte o coração de todos”.

Relembre o caso

O crime que chocou o Brasil ocorreu na saída de um bar, na rua Manguari, na zona norte de São Paulo.

Segundo testemunhas, Tainara e Douglas tiveram um relacionamento e teriam discutido antes do atropelamento.

Após atingir a vítima, o homem a arrastou pela Marginal Tietê e fugiu do local. Imagens de Tainara sendo atropelada e arrastada pela avenida viralizaram nas redes sociais.

Douglas Alves da Silva foi preso no dia 30 de novembro e segue detido.

Com a morte de Tainara, o caso passa a integrar as estatísticas de feminicídio consumado investigadas pela Polícia Civil de São Paulo.

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