O Conselho de Segurança das Nações Unidas realiza, na manhã desta terça-feira (6), uma reunião extraordinária para discutir o ataque conduzido pelos Estados Unidos contra a Venezuela, ocorrido no último sábado (3), que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.
O encontro acontece em meio à repercussão internacional da operação e a manifestações de diferentes governos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou no domingo (4) que considera a ação norte-americana um “precedente perigoso”, destacando preocupações com os impactos sobre o direito internacional e a estabilidade global.
Venezuela acusa violação da Carta da ONU
Durante pronunciamento ao Conselho de Segurança, o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, declarou que os Estados Unidos violaram a Carta de fundação da ONU.
Ele classificou a ação determinada pelo então presidente Donald Trump como uma “guerra colonial” e afirmou que o ataque teria como objetivo a exploração de riquezas venezuelanas, “incluindo as maiores reservas de petróleo do mundo”.
A solicitação da reunião partiu da Colômbia, que pediu a convocação emergencial do órgão diante da escalada da crise diplomática na região.
Brasil confirma participação e Lula se manifesta
O governo brasileiro informou que o Brasil participará do encontro extraordinário do Conselho de Segurança.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que os bombardeios e a prisão de Nicolás Maduro e de sua esposa “ultrapassam uma linha inaceitável e é uma afronta gravíssima à soberania”, reforçando a posição do país no debate internacional.
Paralelamente, representantes dos países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) realizaram, nesta segunda-feira (5), uma reunião por videoconferência para avaliar a situação.
O chanceler brasileiro Mauro Vieira antecipou o retorno das férias para participar das discussões.

China cobra libertação imediata de Maduro
A China também reagiu ao episódio. Em nota divulgada no sábado, o Ministério das Relações Exteriores do país afirmou estar “profundamente chocado” com o ataque e solicitou que os Estados Unidos libertem “imediatamente” Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, além de exigir garantias à segurança pessoal do casal.
Agenda política no Brasil marca memória democrática
Enquanto acompanha a crise internacional, o Brasil mantém compromissos institucionais internos.
Mesmo com o Judiciário e o Legislativo em recesso, o Supremo Tribunal Federal (STF) promove, na quinta-feira, 8 de janeiro, um evento em memória dos atos golpistas ocorridos há três anos, quando sedes dos Três Poderes foram invadidas em Brasília.
Intitulado “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”, o evento contará com abertura de exposição, exibição de documentário, roda de conversa com jornalistas e uma mesa de debates.
O presidente Lula retorna a Brasília no início da semana e também participará de um ato no Palácio do Planalto para marcar a data.


