Justiça autoriza medicamento experimental da UFRJ a 4 paraplégicos; dois apresentam melhora inicial

Polilaminina, substância em pesquisa há mais de 20 anos, teve aplicações judiciais em três pacientes e aguarda avaliação em estudo clínico de fase 1 autorizado pela Anvisa

Subiu para quatro o número de pacientes paraplégicos que conseguiram autorização da Justiça para utilizar a polilaminina, medicamento experimental desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Até agora, foram realizadas três injeções, com respostas positivas em dois casos, enquanto um terceiro paciente ainda aguarda resultados após um procedimento feito há cerca de duas semanas.

De acordo com a equipe científica responsável pelo desenvolvimento da substância, os dois pacientes que registraram evolução têm lesão medular completa, condição marcada pela perda total de movimentos e sensibilidade da cintura para baixo.

Após receberem a aplicação, ambos relataram retomada de sensações e pequenos movimentos.

Respostas observadas após aplicação do medicamento experimental

Volta de sensibilidade e contrações musculares

O primeiro paciente a receber a polilaminina foi Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, que sofreu uma lesão medular após um acidente durante uma apresentação de motocross no Espírito Santo.

Segundo relato da equipe, em menos de 48 horas após a aplicação, ele passou a sentir novamente os membros inferiores e conseguiu contrair músculos da coxa e da região anal.

O segundo paciente, de 35 anos, foi atendido em um hospital do Rio de Janeiro após uma queda de moto.

No caso dele, foram observados leve movimento do pé e sensibilidade em partes das pernas.

Os dois procedimentos foram conduzidos pelo neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes, do Hospital Municipal Souza Aguiar.

Terceiro paciente ainda não teve resposta registrada

Um terceiro paciente, também de 35 anos, morador de Governador Valadares (MG), recebeu a substância há menos tempo. Até o momento, ele ainda não apresentou resposta motora ou sensitiva, segundo as informações divulgadas.

Pesquisadores alertam para riscos e reforçam necessidade de estudos clínicos

A equipe científica envolvida no desenvolvimento da polilaminina afirma que existem barreiras na resposta da medula espinhal ao tratamento e reforça que o avanço do conhecimento depende de estudos clínicos controlados.

Os pesquisadores também destacam que o uso por meio de decisões judiciais pode expor pacientes a riscos sem o mesmo nível de rigor científico exigido em protocolos formais.

Mesmo assim, famílias optaram por seguir com o tratamento experimental.

Anvisa autoriza estudo clínico de fase 1 com cinco pacientes

Na primeira semana de janeiro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o início de um estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina. Nessa etapa, cinco pacientes deverão receber a substância.

O objetivo principal da fase 1 é identificar se o composto é seguro e mapear possíveis riscos potenciais. Somente após essa avaliação o tratamento poderá avançar para as fases 2 e 3, voltadas à comprovação da eficácia.

Quem pode participar da fase 1 do estudo?

Segundo os critérios informados, serão avaliados pacientes com idades entre 18 e 72 anos, que apresentem lesões agudas completas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10.

As lesões precisam ter ocorrido há menos de 72 horas, e o paciente deve ter indicação cirúrgica.

O que é a polilaminina e por que ela é estudada?

A polilaminina é descrita como uma substância de origem na placenta humana e vem sendo estudada por pesquisadores da UFRJ há mais de duas décadas, sob coordenação da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio.

O composto é apresentado como uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína associada ao desenvolvimento embrionário e que contribui para a conexão entre neurônios.

Em estudos iniciais, a substância foi investigada pelo potencial de estimular a regeneração da medula espinhal em casos recentes de lesões graves, como paraplegia e tetraplegia.

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