Alemanha, Suécia e Noruega enviam tropas à Groenlândia após ameaças de Trump

Movimento ocorre após declarações de Donald Trump sobre anexar a ilha, território autônomo sob custódia da Dinamarca

Alemanha, Suécia e Noruega anunciaram nesta quarta-feira (14) o envio de tropas à Groenlândia, em meio à escalada de tensões provocada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a afirmar que considera a ilha estratégica para a segurança americana.

Os primeiros militares devem chegar ao território já nesta quinta-feira (15).

Apesar de possuir autonomia política, a Groenlândia permanece sob custódia da Dinamarca, que solicitou apoio de aliados diante do aumento da pressão diplomática e militar dos EUA.

Segundo o governo alemão, será enviada uma equipe de reconhecimento, composta por militares especializados, com a missão de avaliar contribuições militares e reforçar a segurança da região.

Mais cedo, Copenhague informou que já havia ampliado sua própria presença militar na ilha, em coordenação com aliados da Otan, diante do cenário de instabilidade no Ártico.

Declarações de Trump elevam tensão

Nas últimas semanas, Trump afirmou publicamente que a Groenlândia é vital para a segurança nacional dos EUA e declarou que “todas as opções estão sobre a mesa”, incluindo uma eventual ação militar, para garantir o controle do território.

Após reuniões em Washington, autoridades da Dinamarca e da Groenlândia reconheceram a existência de um “desacordo fundamental” com os Estados Unidos sobre o futuro da ilha.

Apesar disso, os países concordaram em criar um grupo de trabalho de alto nível para discutir questões de segurança.

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, afirmou que deixou claro às autoridades americanas que qualquer tentativa de anexação é “totalmente inaceitável”.

“Nós deixamos muito, muito claro que isso não é do interesse da Dinamarca”, afirmou Rasmussen.

Além da Alemanha, Suécia e Noruega também confirmaram o envio de forças armadas à Groenlândia, atendendo a um pedido formal da Dinamarca.

O Reino Unido anunciou que enviará um oficial militar para integrar a equipe de reconhecimento, enquanto a França confirmou que abrirá um consulado na ilha e que elementos militares franceses já estão a caminho.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a França participará diretamente da operação de avaliação militar na região.

Segundo o governo dinamarquês, a ampliação da presença militar ocorre em “estreita cooperação com aliados”, diante do avanço das tensões geopolíticas no Ártico.

Importância estratégica da Groenlândia

Embora tenha população escassa, a Groenlândia ocupa uma posição estratégica entre a América do Norte e o Ártico, sendo considerada fundamental para:

  • Sistemas de alerta antecipado contra mísseis

  • Monitoramento naval

  • Defesa antimísseis

Os EUA mantêm atualmente mais de 100 militares de forma permanente na base de Pituffik, no extremo noroeste da ilha, em operação desde a Segunda Guerra Mundial.

Pelos acordos vigentes com a Dinamarca, Washington tem autorização para ampliar sua presença militar no território.

Trump afirmou que o controle da ilha é essencial para o sistema de defesa antimísseis americano, conhecido como Golden Dome (Cúpula Dourada).

Pesquisas indicam que a maioria dos moradores da Groenlândia rejeita a anexação pelos EUA. Levantamento realizado em janeiro de 2025 mostrou que apenas 6% dos groenlandeses apoiariam a ideia, enquanto 85% se declararam contrários.

Nos Estados Unidos, a proposta também encontra resistência. Uma pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada nesta quarta-feira, aponta que 47% dos americanos se opõem à iniciativa, contra apenas 17% favoráveis.

Apesar das declarações, Trump voltou a evitar descartar explicitamente o uso da força militar, mantendo o cenário de incerteza sobre os próximos passos da política americana para o Ártico.

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