Mais de meio século após a última viagem humana em direção à Lua, a NASA anunciou o cronograma de lançamento da Artemis II, considerada a primeira missão tripulada dos Estados Unidos rumo ao satélite natural desde a Apollo 17, em 1972.
A agência espacial informou que o voo poderá decolar a partir de 6 de fevereiro, com janela de lançamento entre 31 de janeiro e 14 de fevereiro, dependendo de condições técnicas e meteorológicas.
A missão representa um passo relevante no plano de retomada de voos humanos ao espaço profundo, levando astronautas além da órbita baixa da Terra pela primeira vez desde a era Apollo.
Artemis II: missão histórica, mas sem pouso na Lua
Apesar da expectativa em torno do retorno à exploração lunar, a Artemis II não inclui pouso.
O objetivo é realizar um sobrevoo tripulado, com a nave orbitando a Lua para validar sistemas e procedimentos essenciais antes de uma futura tentativa de descida à superfície.
A viagem está prevista para durar cerca de 10 dias e servirá como um teste abrangente de desempenho da espaçonave e das operações em ambiente de espaço profundo.
Tripulação terá quatro astronautas e participação do Canadá
A tripulação da Artemis II foi confirmada com quatro integrantes, reunindo astronautas dos Estados Unidos e do Canadá, reforçando o caráter internacional do programa. Estão escalados:
- Jeremy Hansen (especialista de missão) — Agência Espacial Canadense
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Victor Glover (piloto) — NASA
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Reid Wiseman (comandante) — NASA
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Christina Koch (especialista de missão) — NASA
O grupo será o primeiro a voar utilizando o foguete Space Launch System (SLS) e a espaçonave Orion, combinação central da arquitetura prevista para as próximas fases do programa Artemis.

Como será o trajeto até a Lua?
O lançamento ocorrerá a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA). Segundo o plano divulgado, os dois primeiros dias serão dedicados à verificação dos sistemas da Orion ainda em órbita terrestre.
Em seguida, o módulo de serviço construído na Europa dará o impulso necessário para a “injeção translunar”, manobra que coloca a nave na rota até a Lua.
O deslocamento de ida deve levar aproximadamente quatro dias, conduzindo a tripulação ao redor do lado oculto do satélite.
No ponto mais distante, a missão deve atingir uma trajetória que passa cerca de 7.400 quilômetros além da Lua e a mais de 370 mil quilômetros da Terra, em um percurso descrito em formato de “oito”.
Retorno à Terra terá amerissagem no Pacífico
Outro destaque do planejamento é o uso de uma trajetória conhecida como “livre retorno”, que aproveita o campo gravitacional da Terra e da Lua para direcionar a Orion de volta ao planeta, reduzindo a necessidade de consumo adicional de combustível.
O encerramento da missão está previsto com uma reentrada em alta velocidade e temperatura na atmosfera, seguida de amerissagem no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, no sul da Califórnia.
Uma equipe conjunta da NASA e do Departamento de Defesa deve atuar no resgate da tripulação.
Programa Artemis mira presença sustentável na Lua e futuras missões a Marte
A Artemis II integra a estratégia de longo prazo da NASA para estabelecer uma presença humana sustentável na Lua e usar essas missões como um “trampolim” para futuras viagens tripuladas a Marte.
O voo, ainda que não pouse no satélite, é considerado uma etapa de preparação para ampliar a segurança e a eficiência das operações lunares.
A última missão tripulada à Lua ocorreu com a Apollo 17, em dezembro de 1972, encerrando o programa original e iniciando um intervalo de décadas sem novas viagens humanas ao entorno lunar.
E aí, animado pra acompanhar essa missão?


