Presunto é tão cancerígeno quanto o tabaco? Especialista esclarece viral nas redes!

Classificação da Iarc/OMS considera o nível de evidência científica sobre a relação com câncer, e não que os riscos sejam iguais entre diferentes agentes

Nos últimos dias, um post que viralizou nas redes sociais colocou presunto e tabaco lado a lado e levantou uma dúvida entre internautas: afinal, “comer embutidos pode trazer o mesmo risco de câncer que fumar?”

A discussão ganhou força depois que muita gente descobriu que ambos aparecem no grupo 1 de carcinogênicos da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), categoria que reúne agentes com evidências científicas consolidadas de relação com a doença.

A ligação entre alimentação e câncer é alvo de pesquisas há anos, e a lista também inclui produtos como ultraprocessados, enlatados e refinados, além de fatores como tabaco, radiação ultravioleta, arsênio e vírus como o HPV (Papilomavírus Humano).

Entenda o que significa estar no grupo 1 da Iarc

A oncologista e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Gabrielle Scattolin, explicou em entrevista que a presença de um item no grupo 1 indica a existência de evidências científicas consistentes ligando aquele agente ao desenvolvimento de câncer, mas não representa o mesmo nível de perigo em todos os casos.

“O risco absoluto associado ao tabagismo e ao amianto, por exemplo, supera o risco absoluto do consumo de carnes embutidas”, afirma.

Segundo ela, a intensidade do risco pode variar de acordo com o padrão de consumo e outros fatores individuais.

“O risco absoluto dependerá da frequência da ingestão, da quantidade, do contexto da dieta e de outros fatores de risco já existentes, sendo que estes dados ainda não estão totalmente claros nos estudos”, pontua.

Brasil também tem lista de agentes cancerígenos usada em políticas públicas

Além da classificação internacional, o Brasil também integra a Iarc e possui a Lista Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos (Linach), utilizada como referência para a formulação de políticas públicas.

O Ministério da Saúde destaca que o consumo desses produtos não é, isoladamente, o causador da doença, mas pode ser um dos fatores de risco, principalmente quando combinado com outros elementos, como predisposição genética e sedentarismo.

Carnes embutidas: por que presunto, bacon e salsicha entram no alerta?

Entre os alimentos frequentemente citados em recomendações de moderação estão as carnes embutidas, como salsicha, linguiça, bacon e presunto.

De acordo com Scattolin, isso ocorre porque esses produtos costumam conter substâncias como nitritos, nitratos e nitrosaminas.

Ao serem ingeridos, esses componentes podem reagir no trato intestinal e gerar efeitos que impactam as células.

“Além disso, eles causam uma inflamação crônica no trato digestivo e alteram a microbiota intestinal, o que também causa danos a estrutura celular”, explica.

Enlatados e BPA: como o contato com a lata pode influenciar a ingestão

Outro ponto observado em pesquisas envolve o consumo de enlatados. Nesse caso, o fator de risco está associado à presença de Bisfenol A (BPA), substância usada na fabricação da resina epóxi que reveste internamente algumas latas.

O aquecimento, resfriamento ou o contato com alimentos de pH ácido pode favorecer a migração do BPA para o conteúdo, aumentando a chance de ingestão do composto.

Frituras, bebidas gaseificadas e refinados também entram no debate

Além dos embutidos e enlatados, frituras e bebidas alcoólicas ou gaseificadas também podem conter aditivos relacionados a processos inflamatórios.

Já os alimentos refinados, como açúcar e farinha branca, aparecem em discussões científicas por estarem ligados ao crescimento celular quando consumidos em excesso.

Para a oncologista, também é importante considerar o impacto indireto que dietas com excesso de ultraprocessados podem ter na rotina alimentar como um todo.

“É importante salientar também que o consumo excessivo de carnes embutidas e ultraprocessados pode substituir o consumo de alimentos protetores como fibras, frutas, vegetais e outros compostos anti-oxidantes que são protetores das células”, destaca Scattolin.

Segundo ela, fatores associados, como ganho de peso e obesidade, também podem influenciar o risco ao aumentarem a resistência à insulina e contribuírem para o desenvolvimento de diferentes tipos de tumores.

Confira:

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