Entenda o que significa estar no grupo 1 da Iarc
A oncologista e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Gabrielle Scattolin, explicou em entrevista que a presença de um item no grupo 1 indica a existência de evidências científicas consistentes ligando aquele agente ao desenvolvimento de câncer, mas não representa o mesmo nível de perigo em todos os casos.
“O risco absoluto associado ao tabagismo e ao amianto, por exemplo, supera o risco absoluto do consumo de carnes embutidas”, afirma.
Segundo ela, a intensidade do risco pode variar de acordo com o padrão de consumo e outros fatores individuais.
“O risco absoluto dependerá da frequência da ingestão, da quantidade, do contexto da dieta e de outros fatores de risco já existentes, sendo que estes dados ainda não estão totalmente claros nos estudos”, pontua.
Brasil também tem lista de agentes cancerígenos usada em políticas públicas
Além da classificação internacional, o Brasil também integra a Iarc e possui a Lista Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos (Linach), utilizada como referência para a formulação de políticas públicas.
O Ministério da Saúde destaca que o consumo desses produtos não é, isoladamente, o causador da doença, mas pode ser um dos fatores de risco, principalmente quando combinado com outros elementos, como predisposição genética e sedentarismo.
Carnes embutidas: por que presunto, bacon e salsicha entram no alerta?
Entre os alimentos frequentemente citados em recomendações de moderação estão as carnes embutidas, como salsicha, linguiça, bacon e presunto.
De acordo com Scattolin, isso ocorre porque esses produtos costumam conter substâncias como nitritos, nitratos e nitrosaminas.
Ao serem ingeridos, esses componentes podem reagir no trato intestinal e gerar efeitos que impactam as células.
“Além disso, eles causam uma inflamação crônica no trato digestivo e alteram a microbiota intestinal, o que também causa danos a estrutura celular”, explica.
Enlatados e BPA: como o contato com a lata pode influenciar a ingestão
Outro ponto observado em pesquisas envolve o consumo de enlatados. Nesse caso, o fator de risco está associado à presença de Bisfenol A (BPA), substância usada na fabricação da resina epóxi que reveste internamente algumas latas.
O aquecimento, resfriamento ou o contato com alimentos de pH ácido pode favorecer a migração do BPA para o conteúdo, aumentando a chance de ingestão do composto.
Frituras, bebidas gaseificadas e refinados também entram no debate
Além dos embutidos e enlatados, frituras e bebidas alcoólicas ou gaseificadas também podem conter aditivos relacionados a processos inflamatórios.
Já os alimentos refinados, como açúcar e farinha branca, aparecem em discussões científicas por estarem ligados ao crescimento celular quando consumidos em excesso.
Para a oncologista, também é importante considerar o impacto indireto que dietas com excesso de ultraprocessados podem ter na rotina alimentar como um todo.
“É importante salientar também que o consumo excessivo de carnes embutidas e ultraprocessados pode substituir o consumo de alimentos protetores como fibras, frutas, vegetais e outros compostos anti-oxidantes que são protetores das células”, destaca Scattolin.
Segundo ela, fatores associados, como ganho de peso e obesidade, também podem influenciar o risco ao aumentarem a resistência à insulina e contribuírem para o desenvolvimento de diferentes tipos de tumores.
Confira:
Caraca 👀!
O presunto industrializado e processado (deli ham) agora é oficialmente classificado como carcinogênico do Grupo 1 (causador de câncer) pela Organização Mundial da Saúde.
O Grupo 1 é o mesmo que inclui substâncias como tabaco, arsênico e amianto. pic.twitter.com/L3WDGoZNma— 🇧🇷Claudia Aker🇧🇷🇺🇸2️⃣2️⃣ (@ClauAker) January 12, 2026


