Nipah: Vírus raro e letal acende alerta na Ásia e muda regras em aeroportos

Medidas preventivas adotadas por Tailândia, Nepal e Taiwan incluem triagem de passageiros, monitoramento de sintomas e controle em fronteiras aéreas e terrestres

Aeroportos em diferentes regiões da Ásia voltaram a adotar protocolos sanitários rigorosos, semelhantes aos utilizados durante a pandemia de Covid-19, após a confirmação de um surto do vírus Nipah no estado indiano de Bengala Ocidental.

Pelo menos cinco casos da infecção foram registrados na região, o que levou países vizinhos a reforçarem medidas preventivas em voos e fronteiras.

A iniciativa busca reduzir o risco de disseminação do vírus, classificado como prioritário pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao alto potencial epidêmico e à elevada taxa de letalidade.

Tailândia amplia triagem sanitária em aeroportos

Na Tailândia, o Ministério da Saúde Pública intensificou o monitoramento de passageiros procedentes de Bengala Ocidental. A triagem ocorre nos aeroportos de Suvarnabhumi, Don Mueang e Phuket, com verificação de febre e de sintomas associados ao vírus Nipah.

Além do controle térmico, viajantes recebem cartões de alerta com orientações sobre como agir caso apresentem sintomas após a chegada.

As autoridades também reforçaram os procedimentos de limpeza e preparação sanitária no Aeroporto Internacional de Phuket, que mantém voo direto diário com a cidade indiana de Kolkata, operado pela companhia aérea IndiGo.

Ao comentar o endurecimento das medidas, o primeiro-ministro da Tailândia, Anutin Charnvirakul, afirmou que o país não registra casos da doença, mas manterá o nível de vigilância elevado.

“O Departamento de Controle de Doenças da Tailândia está realizando a triagem de viajantes provenientes de Bengala Ocidental, na Índia, nos aeroportos de Suvarnabhumi e Don Mueang desde 25 de janeiro, em meio ao surto do vírus Nipah.

Autoridades de saúde implementam medidas rigorosas, com excelente cooperação dos passageiros nos pontos de controle”, informou o governo tailandês.

Segundo autoridades locais, passageiros com febre alta ou sintomas compatíveis poderão ser encaminhados para instalações de quarentena.

A Autoridade de Aviação Civil da Tailândia também determinou o reforço da triagem para todos os voos originários da região afetada.

As regras entraram em vigor à meia-noite (horário local) desta segunda-feira (26) e incluem verificações prévias nos aeroportos de origem, exigência de atestados médicos para passageiros sintomáticos e preenchimento obrigatório de formulários de declaração de saúde na chegada.

protocolos de saúde - aeroporto
Foto: Shutterstock

Nepal intensifica controle em aeroporto e fronteiras terrestres

No Nepal, o governo elevou o nível de alerta sanitário e reforçou os controles no Aeroporto Internacional Tribhuvan, em Katmandu, além de intensificar a vigilância nos principais pontos de travessia terrestre com a Índia.

Postos de saúde foram instalados para a triagem de sintomas, enquanto hospitais e unidades sanitárias nas regiões fronteiriças receberam orientações para identificar, notificar e tratar casos suspeitos.

As autoridades destacam o desafio adicional imposto pelas fronteiras abertas e pelo intenso fluxo diário de pessoas vindas de Bengala Ocidental.

O porta-voz do Ministério da Saúde, Prakash Budhathoki, informou que as medidas preventivas já estão em operação, incluindo a triagem individual de passageiros que chegam ao país por via aérea e terrestre.

Taiwan avalia classificação do Nipah como doença de notificação obrigatória

Em Taiwan, autoridades de saúde planejam classificar a infecção pelo vírus Nipah como uma doença de notificação obrigatória de Categoria 5, o nível mais alto para infecções emergentes graves segundo a legislação local.

A proposta passará por um período de consulta pública de 60 dias antes de ser implementada. Atualmente, os Centros de Controle de Doenças (CDC) mantêm um alerta de viagem de Nível 2 (“amarelo”) para o estado indiano de Kerala, no sudoeste da Índia.

De acordo com o vice-diretor-geral do CDC, Lin Ming-cheng, os avisos poderão ser atualizados conforme a evolução do surto.

Situação na Índia e monitoramento internacional

Na Índia, autoridades sanitárias acompanham o surto em Bengala Ocidental, onde os cinco casos confirmados ocorreram entre profissionais de saúde de um hospital local.

Cerca de 100 pessoas foram colocadas em quarentena, de acordo com informações da agência Reuters.

O vírus foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia, e desde então apresenta ocorrências recorrentes em países do Sul e Sudeste Asiático, como Bangladesh e Índia.

No Brasil, não há registros ou alertas ativos relacionados à doença.

“Atualmente não temos nenhum alerta sobre o vírus no Brasil. É importante sempre estarmos atentos aos surtos internacionais. No cenário de globalização, existe sempre um risco de transmissão.

Mas no momento não temos nenhum alerta ou casos no país”, diz Kamilla Moraes, infectologista da UPA Vila Santa Catarina, unidade pública gerenciada pelo Einstein Hospital Israelita.

avião - AirIndia
Foto: Shutterstock

Vírus Nipah: o que é, riscos e sintomas

O vírus Nipah (NiV) é um patógeno zoonótico, transmitido principalmente por morcegos do gênero Pteropus, que se alimentam de frutas.

A infecção pode ocorrer por meio do consumo de alimentos contaminados, contato direto com animais infectados ou transmissão entre humanos, especialmente em ambientes hospitalares.

Segundo a OMS, a doença pode se manifestar de forma variada, desde infecções respiratórias leves até encefalite grave, condição potencialmente fatal.

Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta.

Em casos mais graves, podem surgir alterações neurológicas, convulsões, pneumonia atípica e insuficiência respiratória.

A encefalite pode evoluir rapidamente para o coma em um intervalo de 24 a 48 horas. O período de incubação costuma variar de 4 a 14 dias, embora já tenham sido relatados casos de até 45 dias.

A taxa de letalidade estimada varia entre 40% e 75%, dependendo das condições de vigilância epidemiológica e atendimento médico.

Atualmente, não existem vacinas ou medicamentos específicos contra o vírus Nipah.

O tratamento disponível é baseado em cuidados intensivos de suporte, voltados principalmente ao controle das complicações respiratórias e neurológicas.

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