Trump critica Bad Bunny e show do intervalo do Super Bowl

"Uma afronta à grandeza da América", diz comentário do presidente sobre a apresentação do cantor porto-riquenho na final da NFL, realizada na Califórnia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou as redes sociais na noite deste domingo (8) para comentar o show do intervalo do Super Bowl, protagonizado por Bad Bunny.

Sem mencionar diretamente o nome do artista, Trump classificou a apresentação como uma “bagunça” e fez críticas contundentes ao espetáculo exibido durante a final da liga de futebol americano.

“Absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”, escreveu o presidente em uma publicação.

O show de Bad Bunny foi uma verdadeira festa de valorização da cultura latina.

No final da apresentação que durou cerca de 13 minutos, o cantor segurou uma bola de futebol americano escrito: “Juntos, nós somos América!”.

Em um dos momentos mais tocantes da noite, Bad Bunny declarou “Deus abençoe a América!”, e falou o nome de todos os países do continente americano, incluindo o Brasil, enquanto pessoas segurando as bandeiras dos países o seguiam.

No fim, ele acrescentou: “Seguimos aqui!”como um claro protesto contra as políticas anti-imigração consideradas violentas do governo Trump nos EUA.

Ainda sobre o show do intervalo, Trump ampliou o tom crítico: “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante”.

Para ele, o show seria “um tapa na cara do nosso país, que está estabelecendo novos padrões e recordes todos os dias”.

Apresentação no maior palco da TV americana

Bad Bunny foi o responsável pelo show do intervalo da partida decisiva da NFL, National Football League, um dos programas de maior audiência da televisão dos Estados Unidos.

O evento foi realizado no Levi’s Stadium, na Califórnia, com o confronto entre New England Patriots e Seattle Seahawks, e vitória do Seahawks. 

Antes mesmo de subir ao palco, a escolha do artista já havia provocado intensa repercussão nas redes sociais e em círculos políticos.

A reação negativa incluiu críticas públicas e até a organização de uma “programação paralela” por grupos contrários à apresentação.

Lembrando que o cantor porto-riquenho Bad Bunny foi o artista mais ouvido do mundo em 2025 no Spotify, acumulando impressionantes 19,8 bilhões de streams.

Bad Bunny - Super Bowl
Foto: Reprodução

Histórico de posicionamento público do artista

A trajetória de Bad Bunny é marcada por manifestações públicas e referências sociais em sua carreira.

Em 2019, o cantor interrompeu uma turnê para se juntar a protestos em Porto Rico contra o então governador Ricardo Rosselló.

Na ocasião, ele participou das mobilizações ao lado de artistas como Residente, iLe e Ricky Martin.

Musicalmente, o cantor manteve sua identidade cultural ao longo da carreira, com produções baseadas no reggaeton e no trap latino, letras em espanhol e referências musicais que transitam entre clássicos porto-riquenhos e canções como Garota de Ipanema.

Bad Bunny ganhou o Grammy!

Recentemente, Bad Bunny se destacou ao vencer o Álbum do Ano no Grammy, o prêmio mais importante da noite, com o disco “Debí Tirar Más Fotos”.

Foi a primeira vez na história que um disco gravado inteiramente em espanhol conquista este feito.

Com “Debí Tirar Más Fotos”, o artista porto-riquenho ainda levou mais dois prêmios: Melhor Álbum de Música Urbana e Melhor Performance de Música Global, completando três gramofones.

Discurso em espanhol e homenagem à diáspora

Ao subir ao palco do Grammy para agradecer o principal prêmio da noite, Bad Bunny dedicou o troféu a pessoas que precisaram deixar seus países de origem em busca de oportunidades.

“Quero dedicar esse prêmio a todas as pessoas que tiveram que deixar suas cidades natais, seus países para seguirem seus sonhos.

Para as pessoas que perderam um ente querido, e ainda sim tiveram que seguir em frente, e continuar com muita força. Esse prêmio é para vocês. Obrigada por todo amor.”

Protesto contra o ICE durante a premiação

Ao receber o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana, também por “Debí Tirar Más Fotos”, o artista fez um discurso crítico ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).

“Antes de eu agradecer, eu quero dizer: fora ICE!

Nós não somos selvagens, não somos animais, não somos aliens. Somos humanos e somos americanos.

[…] A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor, então, por favor, precisamos ser diferentes. Se lutarmos, temos que lutar com amor.

Não os odiamos, amamos nosso povo, amamos nossas famílias e é assim que se faz, amando.”

A declaração foi recebida com aplausos e se somou a outros posicionamentos políticos feitos por artistas ao longo da cerimônia.

Super Bowl, música e controvérsia

O show do intervalo do Super Bowl é acompanhado por mais de 100 milhões de telespectadores apenas nos Estados Unidos, consolidando-se como um dos maiores palcos da indústria musical global.

Tradicionalmente, o espetáculo é pensado como entretenimento de amplo alcance, voltado à diversidade de públicos e ao alto faturamento publicitário.

Embora episódios controversos já tenham marcado a história do evento, como o gesto de M.I.A. em 2012 ou a apresentação de Beyoncé em 2016, inspirada nos Panteras Negras, manifestações explícitas são raras.

Em 2025, um dançarino da apresentação de Kendrick Lamar exibiu bandeiras da Palestina e do Sudão de forma inesperada e acabou detido.

Contexto político amplia repercussão

A apresentação deste ano ocorreu em um momento de tensão política interna nos Estados Unidos, marcado por protestos contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) após mortes atribuídas a ações da agência no estado de Minnesota.

Durante o período de divulgação do evento, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que o ICE estaria “em todo o lugar” durante o Super Bowl.

Dias depois, a chefe de segurança da NFL, Cathy Lanier, declarou que agentes da imigração não teriam participação na operação do evento.

Mesmo assim, o ambiente político e social contribuiu para ampliar a leitura pública do espetáculo, especialmente com a presença de um artista frequentemente associado à comunidade latina em um dos maiores palcos da cultura pop estadunidense.

Confira a publicação de Trump sobre o show de intervalo de Bad Bunny:

 

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Agora assista ao show do intervalo de Bad Bunny, na íntegra:

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