A Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles na Marquês de Sapucaí neste domingo (15), mas a transmissão da TV Globo gerou críticas nas redes sociais.
Parte do público afirmou que a emissora não exibiu o início da apresentação da escola, cujo enredo homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No X (antigo Twitter), internautas acusaram a emissora de “esconder” o desfile. Entre as mensagens publicadas, usuários relataram que a escola já estava com parte significativa das alas na avenida enquanto a transmissão permanecia no estúdio com comentários dos apresentadores.
“Estou doida para assistir o desfile da Acadêmicos de Niterói e a Globo não mostra direito”, escreveu uma usuária. Outro comentou: “A Globo fazendo de tudo para não mostrar o desfile da Acadêmicos de Niterói”.
Também houve reclamações de que “metade da escola já está na avenida” sem cobertura direta da pista. Até a última atualização desta reportagem, a emissora não havia se pronunciado especificamente sobre as críticas.
Enredo da Acadêmicos de Niterói homenageou Lula
A escola levou para a avenida o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que retrata a trajetória pessoal e política do presidente.
A apresentação já vinha sendo cercada de expectativa antes mesmo do Carnaval. Nos dias que antecederam o desfile, a emissora adotou um protocolo interno de cobertura, segundo apuração publicada anteriormente pela imprensa.
De acordo com informações divulgadas previamente, o protocolo incluiu orientações como:
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Alterar para planos gerais caso houvesse manifestações político-partidárias explícitas
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Priorizar comentários técnicos sobre fantasias, alegorias e aspectos culturais
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Evitar entrevistas que pudessem gerar declarações de posicionamento político
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Manter tom neutro nas redes sociais da emissora
A Globo informou antes do desfile que transmitiria todos os desfiles na íntegra e sem cortes, tanto do Rio quanto de São Paulo, além das apurações.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também já havia rejeitado pedido para impedir o desfile, entendendo que eventual proibição configuraria censura prévia.
A demora na exibição do início da escola ampliou o debate nas plataformas digitais. Parte dos usuários associou a decisão editorial ao enredo político, enquanto outros apontaram que a cobertura seguiu o padrão habitual da transmissão, que intercala imagens de estúdio, comentários e tomadas da avenida.
O caso reacende a discussão sobre neutralidade editorial em eventos culturais com conteúdo político, especialmente em transmissões ao vivo de grande audiência.


