O sangue artificial Japão desenvolvido por pesquisadores da Universidade Médica de Nara deve entrar em fase de testes em humanos ainda em 2025. A tecnologia promete ser compatível com todos os tipos sanguíneos e pode representar um avanço significativo na área de transfusões.
A inovação utiliza vesículas de hemoglobina, estruturas microscópicas com cerca de 250 nanômetros, que imitam a função dos glóbulos vermelhos no transporte de oxigênio pelo organismo.
Como funciona o sangue artificial desenvolvido no Japão
As vesículas são produzidas a partir de hemoglobina extraída de doações de sangue vencidas. Essa hemoglobina é encapsulada em estruturas protetoras que permitem seu uso sem necessidade de compatibilidade entre tipos sanguíneos.
Entre as principais características da tecnologia estão:
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Compatibilidade universal
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Armazenamento em temperatura ambiente por mais de 1 ano
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Redução da dependência de doadores
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Possibilidade de uso emergencial sem tipagem prévia
O estudo foi publicado na revista científica Transfusion e divulgado pela Newsweek.
Testes realizados em coelhos mostraram que o sangue artificial apresentou desempenho semelhante ao sangue humano no transporte de oxigênio, sem registro de efeitos colaterais graves.
Os pesquisadores também avaliam uma segunda abordagem que encapsula hemoglobina em proteínas chamadas albuminas, técnica que demonstrou potencial para auxiliar no controle da pressão arterial e no tratamento de hemorragias.
Testes em humanos
A próxima etapa da pesquisa prevê a aplicação entre 100 ml e 400 ml do sangue sintético em voluntários, com o objetivo de avaliar a segurança do produto.
O projeto é liderado pelo professor Hiromi Sakai, que estima que, se os testes forem bem-sucedidos, a tecnologia poderá estar disponível para uso hospitalar até 2030.
A falta de sangue é um desafio mundial. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 106 de 175 países, todos os produtos derivados de plasma são importados.
Nos países de baixa renda, menos da metade da demanda por transfusões é atendida. Já em nações desenvolvidas, há dificuldade em manter estoques para tipos sanguíneos raros.
No Japão, o envelhecimento da população e a queda na taxa de natalidade tornam o cenário ainda mais desafiador, reduzindo o número de doadores disponíveis.
Se aprovado, o sangue artificial pode:
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Ampliar estoques estratégicos
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Reduzir riscos em áreas isoladas ou zonas de conflito
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Melhorar resposta a desastres naturais
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Diminuir dependência de doações regulares
A pesquisa ainda está em fase experimental, e sua aplicação clínica dependerá da segurança comprovada nos testes em humanos.


