A jaqueta de Dinho, vocalista dos Mamonas Assassinas, foi encontrada intacta 30 anos após o enterro do cantor, durante procedimento de exumação realizado no Cemitério Primaveras, em Guarulhos (SP), nesta segunda-feira (23).
A informação foi confirmada pelo CEO do grupo, Jorge Santana, e divulgada nas redes sociais oficiais da banda na quarta-feira (25).
A peça havia sido colocada sobre o caixão do cantor no dia do sepultamento, em março de 1996, como homenagem da equipe técnica. Segundo a família, tratava-se de uma jaqueta azul com o emblema da banda.
Por que a jaqueta dos Mamonas Assassinas permaneceu intacta?
A explicação para o estado de conservação não envolve qualquer fator sobrenatural, mas sim o material da peça: nylon, uma fibra sintética derivada do petróleo.
Diferentemente de tecidos naturais, como algodão e lã, o nylon é um tipo de plástico e pode levar até 200 anos para se decompor.
Segundo o professor da FGV Fabrício Stocker, que pesquisa a cadeia produtiva da moda, o material é altamente resistente.
“É um material de duração praticamente eterna. Em condições naturais, pode chegar a 200 anos intacto. Considerando que estava enterrada e protegida da luz solar, 30 anos é pouco tempo”, explicou.
No caso da jaqueta, alguns fatores contribuíram para a conservação:
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Ausência de exposição direta à luz solar
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Ambiente relativamente isolado
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Baixa incidência de oxigênio
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Proteção contra variações climáticas
Mesmo em aterros sanitários, fibras sintéticas como nylon e poliéster podem persistir por décadas ou séculos.
A resistência do material também levanta discussão ambiental, já que essas fibras continuam sendo amplamente utilizadas na indústria da moda.
A exumação faz parte de um projeto anunciado para marcar 30 anos da morte da banda. Parte das cinzas dos integrantes será utilizada como adubo no Jardim BioParque Memorial, que receberá 5 árvores, cada uma representando um dos músicos.
Os integrantes Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli morreram em 2 de março de 1996 em um acidente aéreo na Serra da Cantareira, em São Paulo.
Segundo Jorge Santana, o memorial será aberto ao público gratuitamente. Os túmulos continuarão disponíveis para visitação de fãs e familiares.
A jaqueta encontrada permanece sob guarda do cemitério, e ainda será definida a possibilidade de integrá-la ao memorial.
Em nota, a banda afirmou que o objetivo da iniciativa é “perpetuar a memória e proporcionar às futuras gerações um espaço que conte a história de alegria e determinação dos nossos meninos”.


