⚠️ Aviso: esta matéria contém relato de violência e pode ser sensível para algumas pessoas. Recomendamos cautela ao ler.
Um caso que vem repercutindo em todo o Brasil pela violência e brutalidade contra uma menor de idade deixou moradores do Rio de Janeiro e internautas estarrecidos.
Uma adolescente de 17 anos denunciou ter sido vítima de estupro coletivo na noite de 31 de janeiro, dentro de um apartamento em Copacabana, na Zona Sul da capital.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu o inquérito e indiciou quatro jovens maiores de idade. Um deles se entregou à polícia na manhã desta terça-feira (3), e os outros três são considerados foragidos.
Um adolescente também foi responsabilizado por ato infracional análogo ao crime, conforme prevê o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Como o crime ocorreu?
De acordo com as investigações, o crime “foi uma emboscada planejada”. A adolescente teria sido atraída ao imóvel por um jovem com quem manteve relacionamento entre 2023 e 2024.
Mensagens trocadas antes do encontro mostram que o adolescente a convidou para ir ao apartamento de um amigo, localizado na Rua Ministro Viveiros de Castro.
Ele chegou a sugerir que ela levasse uma amiga, mas depois afirmou que poderia comparecer sozinha. Câmeras de segurança registraram a entrada da jovem no prédio acompanhada do suspeito.
Segundo o depoimento prestado à polícia, a vítima iniciou uma relação sexual consentida com o adolescente.
Em seguida, outros quatro jovens teriam entrado no quarto e insistido em participar do ato. Conforme o relato, mesmo após negativa, houve agressões físicas e atos sexuais forçados.
A jovem afirmou que foi impedida de sair do cômodo. Um dos investigados teria questionado se a mãe dela a via nua, já que estava “machucada e sangrando”.

Exame confirma lesões
O laudo do exame de corpo de delito identificou hemorragia, escoriações na região íntima, lesões nas costas e nos glúteos, além da presença de sêmen, segundo a investigação.
Após deixar o apartamento, a adolescente ligou para o irmão e relatou que acreditava ter sido estuprada. A família a levou até uma delegacia, onde foi registrado o boletim de ocorrência.
As imagens do prédio também mostram, conforme o relatório policial, que o adolescente retornou ao apartamento após acompanhar a vítima até a saída, realizando gestos interpretados como de “comemoração”.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, com pedido de prisão preventiva dos quatro envolvidos.
Quem são os indiciados?
A Justiça expediu mandados de prisão contra:
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Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos;
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Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos;
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Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19 anos;
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João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos.
Mattheus Verissimo Zoel Martins compareceu acompanhado de sua defesa à 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana, unidade responsável pela investigação.
Até a última atualização, outros três investigados permaneciam foragidos. O Disque Denúncia divulgou cartaz para auxiliar na localização dos suspeitos.
Confira as fotos dos quatro procurados pela polícia:

Habeas corpus foram negados
Antes da apresentação de Mattheus, três dos quatro investigados maiores de idade ingressaram com pedido de habeas corpus para suspender as prisões preventivas.
De acordo com informações apuradas, o desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, indeferiu os pedidos.
O processo corre em segredo de Justiça, e os nomes dos autores dos recursos não foram divulgados.
Filho de subsecretário está entre os investigados
Um dos investigados que segue foragido, Vitor Hugo Oliveira Simonin, é filho de José Carlos Costa Simonin, subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, órgão vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro.
A secretária Rosangela Gomes se manifestou nas redes sociais sobre o caso:
“Tomei conhecimento das graves denúncias envolvendo o filho do subsecretário Simonin. Recebo essas informações com profunda indignação e tristeza.
Minha trajetória de vida e minha gestão são pautadas, acima de tudo, pela defesa intransigente dos direitos das mulheres e pelo combate a todo tipo de violência.
Jamais compactuaria com qualquer ato que fira a dignidade feminina ou a integridade de nossas jovens.
Através do Governo do Estado do RJ, a Secretaria da Mulher já está prestando todo apoio jurídico e psicológico à adolescente e sua família.
Deixo aqui minha total solidariedade a esta jovem de 17 anos e à sua família.”
Confira a nota do Governo do Estado do Rio
Posteriormente, o Governo do Estado do Rio de Janeiro também divulgou nota oficial:
“O Governo do Estado do Rio repudia veementemente o ato de extrema violência cometido contra uma adolescente em um apartamento em Copacabana.
A Polícia Civil já concluiu a investigação e identificou os cinco autores dessa barbárie – quatro maiores e um menor de idade, que tiveram as prisões decretadas pela Justiça e estão foragidos.
Todas as diligências estão em andamento para localizar e prender os envolvidos.
A Secretaria de Estado da Mulher irá prestar todo apoio psicológico à vítima e a sua família.
A Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos reafirma seu compromisso inegociável com a proteção da dignidade humana, com o respeito à vida e com a garantia de direitos da população fluminense.”
Próximos passos do processo
Com o recebimento da denúncia, os quatro maiores de idade passam oficialmente à condição de réus e responderão judicialmente pelo crime.
As investigações continuam em andamento para localizar os três investigados que permanecem foragidos.
O caso segue sob segredo de Justiça.
Medidas adotadas por instituições
O Serrano Football Club informou que afastou o atleta João Gabriel Xavier Bertho e suspendeu seu contrato.
Em nota, declarou:
“Entendemos a gravidade da situação e reforçamos que o clube repudia veementemente qualquer forma de assédio ou violência. O atleta está afastado e seu contrato suspenso”.
O Colégio Pedro II confirmou que dois dos envolvidos eram estudantes da unidade Humaitá II.
A instituição informou que adotou providências administrativas, incluindo solicitação de desligamento, além de prestar acolhimento à família da vítima.
O que diz a defesa?
A defesa de João Gabriel Xavier Bertho negou as acusações em nota:
“A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro e emboscada. Afirma ainda que ele não tem nenhum histórico de violência e jamais estudou no Pedro II.
A jovem sabia que havia outros rapazes na casa em que ela encontraria o ex-namorado e consentiu que João e os outros entrassem no quarto para assistir ao encontro íntimo entre ela e o ex-namorado.
João Gabriel é atleta profissional e, até o momento, não teve oportunidade de ser ouvido para se defender”.
As defesas dos demais indiciados não foram localizadas até a última atualização. O espaço permanece aberto.
Jovem com o nome parecido com um dos acusados sofre ameaça
Um jovem de 21 anos afirma estar sendo alvo de ameaças e ataques nas redes sociais depois de ter sido confundido com um dos investigados por estupro coletivo contra a adolescente de 17 anos, no Rio de Janeiro.
João Gabriel Bertho, ex-atleta de remo, tem nome semelhante ao de João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos, jogador de futebol que está entre os procurados pela polícia no caso.
Em entrevista ao G1, familiares relataram momentos de apreensão e medo diante da repercussão da confusão.
Segundo a família, a coincidência no nome, aliada ao fato de ambos residirem no mesmo bairro, levou internautas a associarem, de forma equivocada, a imagem do jovem ao suspeito do crime.
Com a ampla divulgação do caso nas plataformas digitais, fotografias do ex-atleta passaram a circular como se ele fosse o investigado.
A situação resultou em mensagens ofensivas, ameaças e uma série de ataques virtuais direcionados ao jovem, que nega qualquer envolvimento com o episódio.
Confira:
“Ela queria desistir da vida por vergonha”, diz mãe da jovem
A mãe da jovem abusada descreveu o momento em que encontrou a filha após o ocorrido:
“Quando eu me deparei com ela, a primeira pergunta que eu fiz é: ‘Eles te deixaram alguma marca?’.
Foi quando ela suspendeu o vestido, mais ou menos até aparecer a nádega, e eu fiquei desesperada e só catei os documentos e falei: ‘Vamos para a delegacia’”.
Ela também relatou o impacto emocional sofrido:
“Logo assim que ocorreu, ela se sentia muito culpada e dizia que queria desistir da vida, por vergonha, porque achava que por onde passasse todo mundo ia apontar como estuprada e como culpada.
Ela está conseguindo se conscientizar que não tem culpa, de que não está sozinha e de que ela importa. E que o ‘não’ dela é muito precioso e importa”.
E completou: “Eu só quero que eles paguem, porque não tem que haver outras vítimas”.
Assista à entrevista com a mãe da adolescente no vídeo abaixo:
Investigação continua
A Polícia Civil informou que o conjunto de provas aponta indícios de estupro coletivo qualificado e cárcere privado. As buscas pelos três outros suspeitos seguem em andamento.
Informações podem ser repassadas de forma anônima ao Disque Denúncia.
Veja:



