A recente ação militar organizada pelos Estados Unidos, com apoio de Israel, que resultou na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, no sábado (28), reacendeu questionamentos sobre o impacto geopolítico no calendário esportivo global.
O país norte-americano será sede da Copa do Mundo de 2026, ao lado de Canadá e México, e dos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles. O cenário levanta dúvidas sobre possíveis sanções esportivas semelhantes às impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia, em 2022.
Após a invasão russa ao território ucraniano em fevereiro de 2022, o Comitê Olímpico Internacional (COI) recomendou a suspensão da delegação russa. Nos Jogos de Paris 2024, atletas russos competiram apenas como Atletas Neutros Independentes (ANI), sem bandeira e sem hino.
A invasão também foi apontada como violação da Trégua Olímpica, mecanismo atualizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que prevê um cessar-fogo de 52 dias durante o período olímpico.
No caso da atual ofensiva no Oriente Médio, o COI ainda não se manifestou oficialmente sobre eventuais medidas envolvendo os EUA.
Para Maristela Basso, professora de Direito Internacional da Universidade de São Paulo (USP), a diferença de contexto político e econômico entre Rússia e Estados Unidos reduz a probabilidade de punições esportivas.
Segundo ela, no caso russo houve consenso internacional quanto à violação de princípios do Direito Internacional.
A especialista também questiona qual país ou entidade teria força institucional para propor sanções contra os EUA, que não integram o Tribunal Penal Internacional e são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, com poder de veto.
A advogada Vera Kanas, especialista em comércio internacional, destaca que sanções esportivas costumam refletir correlações de poder.
Ela lembra que:
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Os EUA são um dos principais financiadores da ONU
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Integram o Conselho de Segurança com poder de veto
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Exercem influência econômica sobre federações esportivas
Segundo a especialista, é improvável que entidades como a Fifa imponham sanções que comprometam a realização da Copa do Mundo de 2026.
Na cerimônia do sorteio da Copa, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, elogiou Donald Trump e o homenageou com o chamado “Prêmio da Paz da Fifa”.
Os Estados Unidos, Canadá e México sediarão o Mundial com participação recorde de 48 seleções.
A Trégua Olímpica tem origem na Grécia Antiga e foi modernizada pela ONU. Ela prevê:
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Início 7 dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos
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Término 7 dias após os Jogos Paralímpicos
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Total de 52 dias de cessar-fogo
Em 2024, Israel também foi acusado de romper a trégua durante o conflito na Faixa de Gaza.
Até o momento, não há indicação formal de que os EUA possam sofrer restrições esportivas. O debate, porém, evidencia como decisões militares podem repercutir em arenas além da diplomacia tradicional.


