Ex-chefe da Globo pede demissão após infarto e expõe ‘perversidade’ nos bastidores

Fabrício Marta relata problemas de gestão, cortes e ambiente de trabalho em desabafos nas redes

A saída de um ex-chefe da Globo passou a movimentar os bastidores do jornalismo e gerou repercussão após uma série de relatos públicos sobre o funcionamento interno da emissora. O jornalista Fabrício Marta, que ocupava o cargo de chefia de produção, pediu demissão após mais de 30 anos de atuação no grupo.

A decisão foi tomada enquanto ele ainda se recuperava de um infarto, durante internação em um Centro de Tratamento Intensivo (CTI), pouco antes do Carnaval. Segundo o próprio jornalista, o pedido foi feito por mensagem e não teve relação direta com o quadro de saúde, mas sim com discordâncias em relação a decisões internas.

Após a saída, Fabrício passou a usar as redes sociais para expor situações que classificou como problemáticas dentro da emissora. Entre os pontos citados estão falhas de comunicação, ambiente de trabalho desgastante e decisões administrativas controversas.

O jornalista descreveu a rotina como marcada por excesso de reuniões, ligações sem objetivo e conflitos interpessoais. Em suas publicações, afirmou que deixar o ambiente representou um alívio.

Ele também criticou o que chamou de “falta de sensibilidade” em processos internos e disse não concordar com determinadas práticas adotadas na gestão.

Um dos episódios relatados envolve a comunicação de cortes nas horas extras de produtores. Segundo Fabrício, coube a ele informar diretamente à equipe sobre a mudança, que já teria sido definida pela direção de jornalismo.

De acordo com o ex-chefe, a medida impactou profissionais que dependiam da remuneração adicional e foi implementada sem avaliação individual dos casos. Ele também criticou a ausência de comunicação formal estruturada sobre a decisão.

Em seus relatos, o jornalista descreveu o ambiente como um “sistema adoecido”, citando problemas como:

  • Falta de clareza na comunicação interna

  • Pressões operacionais recorrentes

  • Relações profissionais desgastadas

  • Decisões consideradas incoerentes

Outro ponto mencionado foi a necessidade de apresentar atestado médico enquanto ainda estava internado, o que ele classificou como um exemplo de abordagem inadequada em relação aos funcionários.

Fabrício também comentou mudanças na redação do Jornal Nacional, incluindo a instalação de uma sinalização que restringia o acesso ao estúdio. Segundo ele, a medida foi adotada após orientação editorial e foi criticada pela forma como foi implementada.

O ex-chefe da Globo ainda levantou questionamentos sobre mudanças no programa de estágio da emissora. Ele afirmou que o novo modelo pode reduzir a diversidade no recrutamento ao concentrar seleções em instituições específicas.

Após as publicações, o jornalista recebeu manifestações de apoio de profissionais da própria emissora, incluindo nomes conhecidos do público. Comentários destacaram sua trajetória e o relacionamento construído ao longo dos anos na empresa.

Apesar das críticas, Fabrício Marta também demonstrou reconhecimento à trajetória construída na Globo e à importância da emissora em sua carreira. Ele afirmou manter gratidão ao fundador Roberto Marinho e disse torcer por mudanças na gestão.

O caso reacende discussões sobre condições de trabalho no jornalismo, cultura organizacional e os impactos das transformações recentes nas grandes redações.

Veja alguns dos relatos:

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