Funcionários marcam presença e vão embora: entenda o coffee badging

Tendência surge como resposta silenciosa às exigências de retorno ao escritório e já envolve mais da metade dos trabalhadores híbridos

Uma prática tem ganhado força no ambiente corporativo e expõe um novo tipo de tensão entre empresas e funcionários: o chamado coffee badging, comportamento em que trabalhadores vão ao escritório apenas para registrar presença e, poucas horas depois, retornam ao trabalho remoto.

O movimento ocorre principalmente em empresas que passaram a exigir o retorno parcial ao presencial após a pandemia, criando um cenário híbrido e, em muitos casos, controverso.

Como funciona o “selo do café”

Na prática, o fenômeno segue um padrão simples: o funcionário comparece ao escritório, participa de interações rápidas (como reuniões curtas ou conversas informais), toma um café e deixa o local após 2 ou 3 horas.

O restante da jornada é cumprido de casa.

Esse comportamento funciona como uma forma de cumprir a exigência de presença física, sem abrir mão da flexibilidade do home office. Por isso, especialistas classificam o movimento como uma espécie de “protesto silencioso” dentro das empresas.

Dados de pesquisas recentes indicam que o comportamento está longe de ser pontual:

  • 58% dos trabalhadores híbridos admitem já ter adotado a prática

  • Outros 8% dizem que gostariam de testar o modelo

O fenômeno ganhou tração especialmente após grandes empresas passarem a exigir presença física em determinados dias da semana, mesmo com equipes já adaptadas ao trabalho remoto.

O que está por trás da tendência coffee badging

A adesão ao modelo está ligada a fatores práticos e comportamentais:

  • Economia de tempo com deslocamento

  • Redução de custos com transporte e alimentação

  • Percepção de maior produtividade em casa

  • Resistência à obrigatoriedade presencial

Ao mesmo tempo, o movimento também reflete uma mudança mais profunda na relação com o trabalho, especialmente após a pandemia, quando flexibilidade passou a ser vista como parte central da qualidade de vida.

Para gestores, o fenômeno levanta um sinal de alerta. A presença física, nesse contexto, deixa de ser sinônimo de engajamento.

Especialistas apontam que o comportamento pode indicar:

  • Falta de clareza sobre o propósito do trabalho presencial

  • Ambientes corporativos pouco atrativos

  • Desalinhamento entre expectativa da empresa e realidade do colaborador

Em resposta, empresas têm buscado redefinir o papel do escritório, priorizando atividades colaborativas, inovação e interação, em vez de apenas controle de presença.

O coffee badging divide opiniões dentro do mercado. Para algumas lideranças, pode ser interpretado como falta de comprometimento. Para outros, é uma forma racional de gestão do tempo diante de regras consideradas rígidas.

O avanço da prática indica que o debate sobre o futuro do trabalho ainda está longe de se estabilizar e que o modelo híbrido continua sendo um território em disputa.

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