Times Square São Paulo é lançada usando brecha na Lei Cidade Limpa

Iniciativa prevê telões gigantes no centro e usa brecha da Lei Cidade Limpa para viabilizar publicidade

O governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes lançaram o projeto Times Square São Paulo, uma proposta de revitalização do centro da capital que inclui a instalação de grandes painéis de LED em prédios históricos.

Batizada oficialmente de Boulevard São João, a iniciativa pretende transformar a região em um polo de entretenimento, cultura e publicidade, inspirado no modelo de Nova York.

O plano autoriza a instalação de painéis com até 25 metros de altura em cinco edifícios estratégicos localizados nas avenidas São João e Ipiranga. Entre os pontos previstos estão:

  • Edifício Cine Paris República

  • Edifício Herculano de Almeida

  • Galeria Sampa

  • Edifício New York

  • Edifício Independência

A proposta combina a exploração publicitária com contrapartidas de revitalização urbana, como a manutenção de espaços e melhorias na segurança e infraestrutura da região.

A viabilização do Boulevard São João se apoia em uma exceção prevista na Lei Cidade Limpa (2006). O dispositivo utilizado permite parcerias entre o poder público e a iniciativa privada, desde que envolvam benefícios diretos à cidade, como:

  • Restauro de patrimônios históricos

  • Zeladoria e limpeza urbana

  • Investimentos em infraestrutura local

Especialistas, no entanto, alertam que a regulamentação dessa relação ainda precisa de maior clareza, especialmente sobre a proporção entre o valor investido pelas empresas e o tamanho dos anúncios permitidos.

Para mitigar o impacto visual e garantir a segurança viária, a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) estabeleceu diretrizes rígidas de operação:

  • Horário: Exibição permitida apenas entre 5h e 23h.

  • Luminosidade: Redução obrigatória de brilho no período noturno.

  • Conteúdo: Proibição de animações com movimentos bruscos; cada anúncio deve ter tempo mínimo de 10 segundos.

  • Divisão de tempo: 70% do conteúdo deve ser voltado a arte e cultura, e apenas 30% destinado a publicidade.

Há restrições severas para anúncios de casas de apostas, preços de varejo e conteúdo adulto.

As gestões municipal e estadual negam que o projeto represente uma flexibilização generalizada da Lei Cidade Limpa, tratando-o como uma “exceção planejada” para atrair circulação de pessoas ao centro.

Por outro lado, urbanistas debatem se o retorno da publicidade em grandes formatos pode comprometer uma das políticas urbanas mais emblemáticas de São Paulo, levantando dúvidas sobre o futuro da paisagem visual da capital.

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