O Exército Brasileiro vai desembolsar R$ 179 mil para contratar os serviços de internet via satélite da Starlink, empresa de telecomunicações de Elon Musk.
O valor faz parte de um edital mais amplo, de R$ 993 mil, voltado à aquisição de equipamentos e soluções de comunicação.
A contratação tem como objetivo garantir conectividade durante o exercício CORE25, previsto para 2025, que reunirá tropas brasileiras e norte-americanas em treinamentos conjuntos.
Segundo o edital, a Starlink fornecerá circuitos de internet de banda larga por satélites de órbita baixa (LEO), considerados essenciais para operações em áreas de difícil acesso.
Esse tipo de tecnologia permite maior estabilidade no tráfego de dados, mesmo em regiões remotas. O contrato prevê ainda 12 meses de suporte técnico e manutenção, assegurando que as transmissões sejam estáveis e seguras ao longo do período de vigência.
O CORE25 (Combined Operations and Rotation Exercise) é um programa de cooperação entre Brasil e Estados Unidos, criado para aprimorar o treinamento militar e fortalecer a parceria estratégica entre os países.
A edição de 2025 vai demandar intensa troca de informações, incluindo sistemas de monitoramento, mapas táticos e coordenação em tempo real. Nesse contexto, a cobertura itinerante da Starlink se torna fundamental.
O uso da rede de satélites da empresa norte-americana reflete a busca das Forças Armadas por modernização logística e digital.
A Starlink, hoje presente em mais de 70 países, já havia firmado contratos semelhantes com governos e exércitos pelo mundo, sobretudo em missões de caráter emergencial.
Apesar do caráter técnico da contratação, o envolvimento de uma empresa de Elon Musk adiciona camadas políticas ao debate.
O bilionário, dono também da plataforma X (antigo Twitter), tem criticado de forma recorrente o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente em relação às decisões do ministro Alexandre de Moraes.
Musk chegou a defender sanções contra medidas adotadas pela Corte, em meio a embates sobre liberdade de expressão e regulação digital.
O contrato, contudo, foi firmado dentro de regras de licitação pública e tem finalidade restrita: assegurar que o Brasil conte com infraestrutura tecnológica robusta durante o CORE25.
A expectativa é que a parceria garanta não apenas eficiência operacional, mas também um novo patamar de integração entre os dois exércitos.


