Clair Obscur: Expedition 33 perde prêmios do Indie Game Awards

RPG francês perdeu os prêmios de Jogo do Ano e Jogo de Estreia após descumprir regras da premiação sobre uso de inteligência artificial generativa

O Indie Game Awards anunciou a revogação dos prêmios de Jogo do Ano e Jogo de Estreia concedidos a Clair Obscur: Expedition 33, RPG desenvolvido pela Sandfall Interactive.

A decisão ocorreu após a confirmação de que o jogo utilizou, ainda que de forma temporária, assets criados com inteligência artificial generativa, prática proibida pelo regulamento da premiação.

Segundo o comitê do Indie Game Awards, no momento da submissão do título para avaliação, um representante da Sandfall afirmou que nenhum conteúdo gerado por IA havia sido usado no desenvolvimento do jogo.

No entanto, declarações posteriores do estúdio indicaram que texturas provisórias criadas com ferramentas de IA foram utilizadas durante o processo de produção, o que violou as regras do evento.

Embora essas texturas tenham sido removidas poucos dias após o lançamento e substituídas por versões finais feitas de forma tradicional, o comitê entendeu que o uso da tecnologia, mesmo temporário, desqualifica o jogo das categorias competitivas.

Prêmios redistribuídos

Com a revogação, os prêmios foram redistribuídos aos títulos que haviam ficado em segundo lugar na votação do júri.

O jogo Sorry We’re Closed passou a ser oficialmente reconhecido como Melhor Jogo de Estreia, enquanto Blue Prince assumiu o prêmio de Jogo do Ano.

O Indie Game Awards ressaltou, em comunicado, que mantém uma postura rígida contra o uso de IA generativa em qualquer etapa do desenvolvimento dos jogos indicados, reforçando que a decisão não reflete a qualidade artística de Clair Obscur: Expedition 33, mas sim o descumprimento das regras estabelecidas.

Estúdio se pronuncia

Em resposta à repercussão, a Sandfall Interactive esclareceu que não existem elementos finais do jogo criados por IA generativa. Segundo o estúdio, o uso ocorreu apenas em testes internos no início do desenvolvimento, quando algumas ferramentas começaram a surgir no mercado, e os materiais gerados jamais foram pensados para permanecer na versão definitiva.

A desenvolvedora também afirmou que as texturas provisórias foram removidas em até cinco dias após o lançamento, classificando o episódio como uma falha no controle de qualidade.

Apesar disso, o Indie Game Awards manteve a decisão, destacando que o regulamento considera qualquer uso de IA generativa durante o processo de criação como motivo para desclassificação.

Debate sobre IA nos videogames

O caso reacende o debate sobre o uso de inteligência artificial generativa na indústria de games, tema que tem gerado controvérsias frequentes. Nos últimos meses, estúdios como Ubisoft e franquias como Call of Duty também enfrentaram críticas após a identificação de conteúdos gerados por IA em seus jogos.

Enquanto parte da indústria defende a experimentação tecnológica, premiações independentes e comunidades criativas seguem cobrando transparência, ética e limites claros no uso dessas ferramentas.

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