O FOMO (Fear of Missing Out) — ou medo de ficar de fora — é um fenômeno psicológico amplamente discutido na era digital e, embora seja comumente associado à Geração Z, pesquisas recentes mostram que ele afeta pessoas de todas as idades.
O termo descreve a ansiedade de perder experiências, eventos ou oportunidades vividas por outras pessoas. Com o avanço da internet e das redes sociais, essa sensação se intensificou, já que os usuários acompanham em tempo real o que amigos, colegas e influenciadores estão fazendo, o que estimula comparações constantes e a sensação de exclusão social.
De acordo com especialistas, o FOMO não está diretamente ligado à idade, mas sim ao comportamento digital. Ou seja, qualquer pessoa que passe muito tempo conectada e buscando atualizações frequentes pode experimentar os mesmos sintomas: inquietação, necessidade de aprovação e medo de estar “atrasado” em relação aos outros.
Adultos, inclusive, relatam sentir essa pressão ao ver postagens de viagens, eventos profissionais ou conquistas pessoais. Em muitos casos, o desejo de “não ficar para trás” leva ao uso excessivo das redes sociais, o que pode impactar o bem-estar mental, aumentar a ansiedade e diminuir a satisfação com a própria vida.
“O FOMO é um reflexo da comparação constante”, explica a psicóloga comportamental Patrícia Leal, destacando que o ciclo de consumo de conteúdo instantâneo e recompensas sociais — como curtidas e comentários — mantém o cérebro em estado de alerta.
Por outro lado, estudos indicam que é possível reduzir o impacto do FOMO com medidas simples, como estabelecer limites de tempo de tela, praticar o ócio consciente e reconectar-se ao presente. Essas ações ajudam a restaurar o equilíbrio emocional e a recuperar a relação saudável com o mundo digital.
O fenômeno, antes visto como um traço da juventude hiperconectada, se mostra agora como um sintoma social mais amplo, característico de uma era em que a informação é imediata e a comparação é constante — um desafio compartilhado por todas as gerações.


