O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy foi preso nesta terça-feira (21) em Paris, onde começou a cumprir pena de cinco anos por conspiração para arrecadar fundos de campanha provenientes da Líbia.
A condenação marca um momento histórico: Sarkozy é o primeiro ex-líder francês a ser encarcerado desde a Segunda Guerra Mundial.
Chegada à prisão La Santé
Sarkozy deixou sua residência por volta das 9h15 da manhã (4h15 horário de Brasília) e chegou cerca de 20 minutos depois à prisão de segurança máxima La Santé, acompanhado da esposa, Carla Bruni.
O ex-presidente francês, que governou entre 2007 e 2012, foi condenado no fim de setembro e ficará em cela individual equipada com chuveiro privativo, televisão e telefone fixo.
Segundo Sebastien Cauwel, chefe do sistema prisional francês, Sarkozy permanecerá em isolamento.
“Ele poderá acessar o pátio de exercícios sozinho, duas vezes ao dia, terá acesso a uma sala de atividades sozinho e ficará sozinho em sua cela”, afirmou Cauwel à rádio ‘RTL’.

Defesa e declaração de inocência
O advogado Jean-Michel Darrois informou que já apresentou um pedido de liberdade ao tribunal. Sarkozy, por sua vez, afirmou ao jornal ‘La Tribune Dimanche’:
“Não tenho medo da prisão. Vou manter minha cabeça erguida, inclusive nos portões da prisão.”
Em comunicado divulgado na rede ‘X’ (antigo Twitter), o ex-presidente reiterou sua inocência:
“Quero lhes dizer, com a força inabalável que é a minha, que não é um ex-presidente da República que está sendo preso esta manhã — é um inocente.”
Ele acrescentou:
“Continuarei a denunciar este escândalo judiciário, esta via-crúcis que sofro há mais de dez anos. Eis, portanto, um caso de financiamento ilegal sem o menor financiamento.”
Condenação e contexto do caso
A Justiça francesa concluiu que a campanha de Sarkozy em 2007 recebeu milhões de euros do regime líbio de Muammar Kadhafi, deposto em 2011.
O ex-presidente foi condenado por conspirar com assessores para organizar o esquema, mas foi absolvido de usar ou receber pessoalmente os fundos.
Mesmo negando qualquer irregularidade e afirmando que o caso tem motivação política, Sarkozy precisará permanecer preso enquanto o recurso é analisado, conforme determina a execução provisória da pena.
Essa medida, segundo especialistas, representa uma mudança na postura da Justiça francesa em relação a crimes de colarinho branco.
Nas últimas décadas, muitos políticos condenados evitavam a prisão, mas novas reformas endureceram o cumprimento de sentenças.
Confira imagens de Nicolas Sarkozy:
O ex-presidente francês Nicolás Sarkozy começou a cumprir a pena de 5 anos de prisão. Ele foi condenado por conspiração criminosa relacionada a suposto financiamento da Líbia durante campanha presidencial. #GloboNewsEmPonto
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— GloboNews (@GloboNews) October 21, 2025
Vida na prisão e rotina prevista
O ex-presidente ficará em uma unidade de isolamento que já abrigou nomes como Carlos, o Chacal, e Manuel Noriega.
As celas, com área entre 9 e 12 metros quadrados, foram reformadas e contam com chuveiros privativos. Sarkozy também terá acesso a uma televisão mediante taxa mensal de 14 euros e a um telefone fixo.
O advogado Darrois contou que o cliente levou “suéteres, pois a prisão pode ser fria, e protetores auriculares, porque pode haver muito barulho”.
Em entrevista ao ‘Le Figaro’, Sarkozy revelou que levou três livros, entre eles ‘O Conde de Monte Cristo’, clássico de Alexandre Dumas sobre um homem injustamente preso.
Repercussão política e popular
A prisão de Sarkozy gerou reações entre seus aliados e na extrema-direita francesa. A líder Marine Le Pen criticou a decisão e também enfrenta uma execução provisória em outro processo.
Pesquisas indicam, no entanto, que a maioria dos franceses apoia a decisão.
Segundo levantamento da Elabe para a ‘BFM TV’, 58% dos entrevistados consideram o veredicto imparcial, e 61% apoiam o envio imediato de Sarkozy à prisão.
O atual presidente Emmanuel Macron, que mantém boa relação com o ex-presidente e sua esposa, afirmou ter se encontrado com Sarkozy antes da detenção.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, também declarou que pretende visitá-lo nos próximos dias.


