Belém, capital do Pará, é a partir de hoje o centro das atenções do mundo.
A cidade sedia oficialmente a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), evento que reúne chefes de Estado, especialistas e ativistas de quase 200 países para discutir o futuro climático do planeta.
É a primeira vez que uma cidade brasileira recebe o encontro, que vai até o dia 21 de novembro. A Cúpula dos Líderes, que reúne os principais chefes de Estado, aconteceu nos dias 6 e 7.
A COP30 marca os dez anos do Acordo de Paris — tratado em que os países se comprometeram a limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
Mesmo assim, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já alertou: “Ultrapassar essa meta é inevitável”.
Por que Belém foi escolhida
A candidatura brasileira foi apresentada durante a COP27, no Egito, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o evento acontecesse na Amazônia.
“Acho muito importante que as pessoas que defendem a Amazônia e que defendem o clima conheçam de perto o que é aquela região”, disse Lula na ocasião.
Com apoio unânime dos países latino-americanos, Belém foi confirmada como sede durante a COP28, em Dubai, em dezembro de 2023.
Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o local reforça a mensagem de responsabilidade global:
“A Amazônia nos mostra o caminho […] Realizar a COP30 no seio da floresta é nos lembrarmos, com força, da responsabilidade de manter o planeta dentro da nossa missão de 1,5°C.”
Desafios e polêmicas
A preparação de Belém para o evento não foi simples. A cidade teve de ampliar a rede hoteleira e recebeu isenção de ICMS para novos empreendimentos, além de navios de cruzeiro contratados para servir como hospedagem flutuante.
Ainda assim, a falta de acomodações acessíveis gerou críticas de delegações de países mais pobres.
A inflação local também atingiu produtos típicos da região. O açaí, base da alimentação no Pará, acumulou alta de 56% nos primeiros meses do ano, pressionado pela demanda internacional e pelos impactos das mudanças climáticas no cultivo.
Além disso, o governo brasileiro foi alvo de polêmica por medidas vistas como contraditórias à agenda ambiental, como novas licenças para exploração de petróleo e o projeto de uma rodovia na Amazônia para melhorar o acesso à capital durante o evento.
Segurança reforçada
Para garantir a segurança, o presidente Lula autorizou o uso das Forças Armadas em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em Belém e nas cidades de Altamira e Tucuruí até novembro de 2025.
Segundo o Ministério da Defesa, trata-se de uma operação de “não guerra”, voltada à proteção de infraestruturas críticas como portos, aeroportos e hidrelétricas.
Quem participa da COP30
O Itamaraty confirmou 143 delegações e 57 chefes de Estado. Entre os nomes presentes estão o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O príncipe William representa o rei Charles III.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não compareceu — ausência que pode dificultar negociações multilaterais.
Outros líderes, como o argentino Javier Milei e o chinês Xi Jinping, também devem participar apenas por meio de representantes.

Acordo de Paris e novos compromissos
A COP30 acontece em um momento decisivo para o planeta.
O Acordo de Paris, firmado em 2015, estabeleceu que os países devem reduzir as emissões de gases de efeito estufa e apresentar planos nacionais (NDCs) para cumprir o limite de 1,5°C.
Até agora, apenas um terço das nações atualizou suas metas.
Mesmo assim, a ONU espera que o encontro em Belém reforce o compromisso global e estimule novos financiamentos e tecnologias limpas.
O que está em debate
Entre os principais temas da agenda estão:
-
Transição energética: acelerar o abandono dos combustíveis fósseis;
-
Financiamento climático: definir estratégias para cumprir o acordo de US$ 300 bilhões anuais até 2035 para países em desenvolvimento;
-
Proteção das florestas tropicais: o Brasil deve apresentar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que propõe remuneração pela conservação ambiental;
-
Energia renovável: reforçar o compromisso de triplicar a capacidade global até 2030.
Expectativas e desafios
Mesmo com tensões políticas e logísticas, a COP30 é vista como uma oportunidade histórica para o Brasil fortalecer sua imagem ambiental e liderar o debate climático global.
Analistas, no entanto, alertam que chegar a um consenso será um desafio, especialmente diante das posições divergentes de potências como os Estados Unidos.
Ainda assim, a ONU acredita que o encontro pode impulsionar ações concretas e aproximar o mundo das metas do Acordo de Paris.


