O consumo de conteúdo vertical — produzido especialmente para telas de celulares — vem se consolidando como uma das maiores tendências da indústria audiovisual mundial. Com episódios de 3 a 5 minutos, os chamados microdramas conquistaram o público nas redes sociais e plataformas internacionais, e agora chegam com força ao Brasil.
A grande novidade é o lançamento da Tele Tele, primeira plataforma brasileira exclusiva para produções verticais, prevista para estrear no início de 2026. O anúncio foi feito durante o V Encontro de Ideias Audiovisuais, promovido pela Mostra de Cinema de São Paulo.
Uma nova era para a dramaturgia brasileira
A Tele Tele nasce da união de nomes experientes no audiovisual — Camila Guerrilheiro, Antonio Prata, Chico Mattoso, Thiago Teitelroit e Gustavo Mayrink.
A proposta é criar um espaço para produções originais e independentes, voltadas ao consumo rápido e dinâmico das novas gerações.
Segundo Camila Guerrilheiro, que trabalha com conteúdo vertical há três anos, o formato reflete uma mudança cultural global:
“O Brasil é o segundo país do mundo que mais consome mídias sociais. É claro que os microdramas iam chegar aqui com muita força.
Tem um lado delicado, claro, quando pensamos nas novas gerações e como elas já têm um cérebro diferente, acostumado com tudo muito rápido, editado, cheio de informações simultâneas.”
Ela conta que, no início do projeto, os roteiristas Antonio Prata e Chico Mattoso questionaram a viabilidade do formato:
“Tem vida inteligente nesses conteúdos?”, eles se perguntavam. “Fomos quebrando a cabeça, assistindo e entendendo que era possível. Isso já é o presente, não é nem o futuro.”
Dramaturgia brasileira adaptada ao digital
A Tele Tele pretende aproveitar a tradição do país em contar boas histórias e adaptá-la à linguagem digital.
“Nós temos essa cultura de novela, sabemos fazer, exportar, nossas novelas ultrapassam barreiras… A sacada foi juntar forças”, afirmou Camila.
Os primeiros conteúdos da plataforma serão produções originais, com foco no DNA da novela brasileira. A ideia é, futuramente, abrir espaço para projetos externos e talentos de todo o país.
Um mercado em ascensão global
O formato de vídeos verticais vem transformando a produção audiovisual em todo o mundo. Plataformas semelhantes surgiram primeiro na China, mas já fazem sucesso nos Estados Unidos e em outros países.
Para o diretor e criador Victor Soares, que atua no segmento de microdramas, o Brasil tem tudo para se destacar:
“Sinto que é um novo formato, mas ainda é audiovisual. Dá pra contar boas histórias, mas precisa se adaptar a essa mídia.”
Ele destaca que a atenção do público é o principal desafio:
“No celular, o público consome um conteúdo atrás do outro, em rolagem. Então precisa chamar a atenção em três segundos. E para que ela volte, precisa ter um gancho muito forte no final.”
Oportunidade para o mercado latino-americano
Atuando entre o Brasil e Los Angeles, Soares observa que o mercado vertical tem garantido emprego a muitos profissionais da área audiovisual.
“Hollywood está em crise […] O vertical está salvando muita gente. São 50 sets paralelos rolando por dia.”
Ele acredita que a América Latina tem grande potencial para crescer nesse setor e que o surgimento de plataformas locais é essencial:
“Acho incrível termos a Tele Tele nascendo aqui – um aplicativo brasileiro, para o nosso público. Sabemos que não dá só para consumir conteúdo de fora. Temos que fazer os nossos também.”
Um novo capítulo para o audiovisual brasileiro
Com a estreia da Tele Tele, o Brasil entra oficialmente na era dos microdramas verticais, combinando inovação tecnológica e o talento reconhecido de seus criadores.
A iniciativa promete abrir novas possibilidades para roteiristas, atores e diretores, além de aproximar o público de narrativas curtas, ágeis e feitas sob medida para o celular.


