Um novo estudo publicado na revista Nature Aging sugere que falar mais de um idioma pode estar associado a um envelhecimento mais lento, tanto do corpo quanto do cérebro. A análise, divulgada nesta segunda-feira (10), reuniu dados de 86 mil adultos entre 51 e 90 anos, provenientes de 27 países europeus.
Os pesquisadores calcularam a chamada “idade biocomportamental”, índice que reúne aspectos físicos e mentais — como memória, presença de doenças crônicas e capacidade funcional — e compararam esses resultados com a idade cronológica de cada participante.
Multilinguismo e envelhecimento mais lento
De acordo com os autores, os participantes que dominavam dois ou mais idiomas apresentaram diferença menor entre a idade biocomportamental e a cronológica, indicando um ritmo de envelhecimento reduzido.
O estudo também aponta que quem falava mais de uma língua tinha quase metade do risco de envelhecer de forma acelerada quando comparado a pessoas monolíngues.
Os resultados permaneceram consistentes mesmo após ajustes por fatores como escolaridade, níveis de poluição e contexto social, reforçando a hipótese de que o uso constante de diferentes idiomas pode atuar como uma forma de treino cognitivo contínuo.
“Treino mental” e impacto no cérebro
Para os especialistas envolvidos, o exercício regular de alternar entre línguas pode fortalecer as redes cognitivas, auxiliando o cérebro a lidar melhor com o avanço da idade.
O processo demanda atenção, memória e capacidade de adaptação — habilidades essenciais para a saúde mental ao longo da vida.
Apesar disso, os cientistas ressaltam que o estudo não estabelece uma relação direta de causa e efeito. Ainda não é possível afirmar se o multilinguismo realmente retarda o envelhecimento ou se pessoas com cérebros naturalmente mais saudáveis tendem a aprender mais idiomas. Mas os resultados foram promissores!
Aprender idiomas e um estilo de vida saudável
Mesmo sem conclusões definitivas, as evidências sugerem que o aprendizado de idiomas pode integrar um conjunto de práticas favoráveis ao envelhecimento saudável, assim como a atividade física regular e a interação social frequente.
Além dos ganhos cognitivos, dominar novos idiomas também pode ampliar oportunidades profissionais, facilitar a comunicação em ambientes multiculturais e enriquecer experiências em viagens.
Outras pesquisas reforçam tendência
Outros estudos recentes reforçam a ideia de que o bilinguismo funciona como um estímulo mental constante. Segundo os especialistas, esse tipo de desafio cognitivo pode contribuir para manter o cérebro ativo e resiliente com o passar dos anos.
O tema segue em investigação, mas os dados sugerem que investir no aprendizado de novas línguas ao longo da vida pode trazer benefícios tanto para o cérebro quanto para o bem-estar geral.


