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Fim do “Todes”: Lula sanciona lei que proíbe linguagem neutra em documentos oficiais

Nova legislação impede uso de termos como "todes" e "elu" em comunicações de órgãos federais, estaduais e municipais; objetivo é simplificar a linguagem governamental

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira (17) a lei nº 15.263, que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples e proíbe expressamente o uso de linguagem neutra em toda a administração pública brasileira.

A medida atinge órgãos e entidades dos três níveis de governo — federal, estadual e municipal — e já está em vigor após publicação no Diário Oficial da União (DOU).

O que diz a nova legislação?

A norma determina que a comunicação oficial não pode adotar “novas formas de flexão de gênero e de número das palavras da língua portuguesa”.

O dispositivo específico está detalhado no artigo 5º da lei, que estabelece diretrizes para simplificar a linguagem governamental.

“Não usar novas formas de flexão de gênero e de número das palavras da língua portuguesa, em contrariedade às regras gramaticais consolidadas, ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) e ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, promulgado pelo Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008”, especifica o inciso XI do artigo 5º.

Linguagem Neutra: O que fica vetado

A proibição abrange termos como “todes”, “todxs” e “elu”, variações criadas para representar uma forma mais inclusiva de linguagem.

Essas expressões são utilizadas principalmente por parte da comunidade LGBTQIA+ e pessoas não binárias — aquelas que não se identificam exclusivamente com os gêneros masculino ou feminino.

Segundo especialistas como o linguista Luiz Carlos Schwindt, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, trata-se de uma “tentativa de uso inclusivo” da língua.

Apesar disso, essas formas não constam nas normas oficiais do idioma português.

Uso recente no governo

No início do atual mandato presidencial, a palavra “todes” chegou a ser empregada pela primeira-dama Rosângela da Silva (Janja), pelo então ministro Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais) e por cerimonialistas em eventos oficiais do governo.

Lula
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Objetivos da Política Nacional de Linguagem Simples

Além de vedar a linguagem neutra, a legislação estabelece parâmetros para tornar a comunicação pública mais acessível à população.

Entre as diretrizes, destacam-se:

  • Uso de frases curtas e palavras de fácil compreensão;
  • Transparência ativa e acesso à informação de forma clara;
  • Facilitação do acesso aos serviços públicos;
  • Facilitação da participação popular e social;
  • Adaptação para pessoas com deficiência;
  • Versões em línguas indígenas quando a comunicação se destinar a essas comunidades.
  • Melhoria da comunicação entre governo e população;
  • Garantia do exercício dos direitos dos cidadãos.

Abrangência Nacional

A medida não se restringe aos órgãos federais. A proibição vale para “todos os Poderes dos estados, do Distrito Federal e dos municípios”, tornando-se uma diretriz nacional para a redação de documentos oficiais.

Aprovação e Autoria

O projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional em março deste ano e é de autoria da deputada federal Érika Kokay (PT-DF).

A sanção presidencial contou com a assinatura dos ministros Esther Dweck (Gestão e Inovação), Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União).

Veto Presidencial

O presidente vetou um trecho da lei que obrigava os órgãos públicos a designar um servidor específico para adequar informações à linguagem simples.

A justificativa foi que o dispositivo seria inconstitucional, já que normas sobre o funcionamento da administração pública só podem ser propostas pelo chefe do Poder Executivo.

Veja uma foto da deputada federal Érika Kokay (PT-DF), autora do projeto de lei que proíbe linguagem neutra em documentos oficiais:

deputada federal Érika Kokay
Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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