Aos 36 anos, Hayley Williams vive uma fase de renovação artística e emocional.
Depois de quase vinte anos à frente do Paramore, a cantora decidiu se afastar, não da banda, mas da identidade que a acompanhou desde a adolescência, para lançar um disco solo que mergulha em confissões, vulnerabilidades e no processo de perdoar a si mesma.
O álbum, indicado ao Grammy, marca uma das fases mais bem-sucedidas de sua carreira fora do Paramore.
“Eu precisava me ouvir sem o peso de ser a Hayley do Paramore”
Hayley contou que a motivação para a transição veio de um lugar de necessidade emocional.
Segundo ela, cantar sob o nome Paramore carregava expectativas, rótulos e a obrigação de performar a força que sua versão adolescente projetava.
Seu trabalho solo nasceu da urgência de expressar aspectos pessoais que não cabiam dentro do discurso coletivo de uma banda.
— “Eu precisava encarar meus erros, minhas falhas e meus traumas. E não queria colocar isso nas costas de um grupo inteiro. Era algo meu.” — explicou a cantora em entrevista recente.
Um disco sobre perdão, inclusive o próprio
A artista descreve o álbum como uma “carta aberta” à própria juventude.
Muitas músicas abordam a pressão que enfrentou na adolescência, quando se tornou ícone pop-rock global antes mesmo de saber quem era fora dos palcos.
Hayley admite que, por muito tempo, se culpou por atitudes impulsivas, declarações duras e relacionamentos turbulentos vividos durante os anos intensos do Paramore.
No novo trabalho, ela transforma essas dores em narrativa:
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autoconhecimento;
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responsabilidade emocional;
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reconstrução de autoestima;
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amadurecimento feminino.
— “Eu canto para perdoar a menina que eu fui.” — afirmou.
Indicação ao Grammy reforça nova fase
O reconhecimento da crítica veio rápido.
O disco recebeu indicação ao Grammy e colocou Hayley em posição de destaque como artista solo, mostrando que sua força criativa vai muito além da banda que a consagrou.
As faixas exploram desde folk intimista até experimentações eletrônicas, sempre mantendo a intensidade emocional que virou marca registrada de sua voz.
Relação com o Paramore segue firme, mas diferente
Apesar da distância estética, Hayley reforça que sua decisão não representa uma ruptura.
Paramore continua ativo, e a cantora vê as duas fases como complementares:
— “A banda é minha família. Meu projeto solo é meu quarto próprio.”
A afirmação sintetiza o equilíbrio que ela busca: preservar o legado do Paramore enquanto constrói espaço para sua individualidade.
Um novo capítulo para uma artista em plena reinvenção
O que move Hayley hoje é liberdade: liberdade para errar, para revisitarem dores antigas, para se expressar sem filtros e para crescer.
Seu disco solo não é apenas um projeto paralelo, é uma afirmação madura de quem sobreviveu à fama precoce e agora escolhe viver a própria história com autenticidade.
Sincera, frágil e corajosa, Hayley Williams transforma sua trajetória em arte e se mostra, mais do que nunca, uma artista completa.


