A pintora mexicana Frida Kahlo alcançou um marco inédito no mercado global de arte após a venda de “El sueño (La cama)” por US$ 54,7 milhões (cerca de R$ 292,6 milhões) na noite de quinta-feira (20), em um leilão realizado pela Sotheby’s, em Londres.
A cifra transformou o autorretrato na obra mais cara já criada por uma mulher, superando marcas históricas do setor.
Além do recorde mundial, o valor também supera o preço de sua pintura “Diego e Eu”, vendida em 2021 por US$ 34,9 milhões (aproximadamente R$ 188,5 milhões), até então a obra mais cara de Kahlo.
Obra icônica marca fase turbulenta da artista
Produzido em 1940, “El sueño (La cama)” representa um período de forte instabilidade emocional e transformação criativa na vida da artista.
A Sotheby’s descreve o quadro como um dos autorretratos “mais carregados de psicologia e simbolismo” do catálogo de Frida Kahlo.
Na imagem, Frida aparece adormecida em uma cama de madeira no estilo colonial, coberta por um tecido dourado adornado com trepadeiras.
Sobre ela, repousa um esqueleto em tamanho real envolto em dinamite, com uma coroa de flores vibrantes e apoiado sobre almofadas — composição que reforça temas recorrentes na obra da artista, como dor, fragilidade e dualidade.
Confira a obra de Frida Kahlo:
Quadro de Frida Kahlo é vendido por US$ 54 milhões, bate recorde da artista e vira obra de arte mais cara pintada por uma mulher https://t.co/tvS94UI9aV #g1 pic.twitter.com/WY7yMmBf4Y
— g1 (@g1) November 21, 2025
Polêmica e preocupação sobre acesso público
A venda dividiu opiniões entre especialistas. Historiadores consultados pela Associated Press apontaram questionamentos culturais e demonstraram receio de que a obra, vista publicamente pela última vez no final dos anos 1990, possa desaparecer novamente de circulação caso permaneça restrita a uma coleção privada.
Museus de cidades como Nova York (EUA), Londres (Inglaterra) e Bruxelas (Bélgica) já manifestaram interesse em exibir o quadro em futuras mostras.
Família celebra reconhecimento mundial
Apesar das críticas, a família de Frida Kahlo comemorou o destaque alcançado pelo leilão. A sobrinha-neta da artista, Mara Romeo Kahlo, reafirmou a importância simbólica da venda:
“Estou muito orgulhosa de que ela seja uma das mulheres mais valorizadas, porque, na verdade, que mulher não se identifica com Frida, ou que pessoa não se identifica?”, afirmou.
“Acho que todos carregam um pedacinho da minha tia no coração”.
Obra rara em circulação internacional
O autorretrato está entre as poucas obras de Kahlo que permaneceram em mãos privadas fora do México. No país, seu conjunto de trabalhos é considerado monumento artístico, o que impede sua venda ou destruição, tanto em coleções públicas quanto privadas nacionais.
A pintura vendida pela Sotheby’s pertencia a um colecionador não identificado, assim como não foi divulgado o nome do comprador.
O valor atual é 1.000 vezes maior do que o registrado em 1980, quando o quadro foi arrematado por apenas US$ 51 mil (cerca de R$ 275,4 mil).
Quem foi Frida Kahlo?
Frida Kahlo (1907–1954) foi uma das artistas mais marcantes do século 20. Mexicana, conhecida por seus autorretratos intensos, ela transformou suas dores físicas e emocionais em arte.
Após um grave acidente na adolescência, passou longos períodos imobilizada, e foi nesse contexto que desenvolveu seu estilo único — uma mistura de realismo, simbolismo, cultura mexicana e elementos surrealistas.
Sua obra aborda identidade, feminilidade, ancestralidade indígena, política e sofrimento, sempre de maneira direta e profundamente pessoal.
Por isso, Frida se tornou um símbolo global de resistência, autenticidade e autonomia feminina.
Hoje, sua importância é enorme:
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É referência no feminismo, por questionar padrões de gênero e corpo.
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É ícone da arte latino-americana, levando a cultura mexicana ao mundo.
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Inspira movimentos ligados a identidade, diversidade e força emocional.
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Seu trabalho segue valorizado e estudado, influenciando artistas, marcas, museus e a cultura pop.
Segundo especialistas, mesmo 71 anos após sua morte, Frida permanece atual e relevante, porque sua arte e sua vida continuam ecoando questões universais sobre dor, amor, força e identidade.


