O novo salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621, entrou em vigor nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026. O valor representa um reajuste de 6,79% em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, e já vale para salários e benefícios referentes a janeiro, que serão pagos no início de fevereiro.
O aumento reflete a inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro, somada a um ganho real limitado pela regra do arcabouço fiscal. Com isso, o valor final ficou abaixo das projeções iniciais feitas pelo governo e do montante previsto no Orçamento.
Pelos cálculos finais, o salário mínimo de 2026 ficou:
-
abaixo do valor previsto no Orçamento, que era de R$ 1.631;
-
menor que a estimativa divulgada pelo governo no fim de novembro, de R$ 1.627.
A principal explicação é que a inflação usada no cálculo acabou sendo menor do que a esperada, reduzindo o reajuste final.
Quem é impactado pelo novo salário mínimo
O salário mínimo serve como referência direta ou indireta para 59,9 milhões de brasileiros, segundo dados do Dieese. Além dos trabalhadores formais que recebem o piso nacional, o valor também afeta:
-
aposentadorias e pensões do INSS;
-
Benefício de Prestação Continuada (BPC);
-
seguro-desemprego;
-
abono salarial.
Esses pagamentos não podem ser inferiores ao salário mínimo vigente, o que amplia o impacto da correção em toda a economia.
Como funciona a regra de reajuste
A Constituição determina que o salário mínimo seja reajustado ao menos pela inflação, para preservar o poder de compra do trabalhador. Durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, o reajuste seguiu apenas esse critério, sem aumento real.
No atual governo, a política de valorização do salário mínimo foi retomada. Pela regra aprovada em 2023, o reajuste considera:
-
a inflação pelo INPC acumulado até novembro;
-
o crescimento do PIB de dois anos antes.
No entanto, uma lei aprovada no fim de 2025 impôs um teto de 2,5% para o ganho real, em linha com o arcabouço fiscal.
Como o governo chegou aos R$ 1.621
A inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro foi de 4,18%. O crescimento do PIB de 2024 foi de 3,4%, mas o ganho real foi limitado a 2,5%.
Com isso, o cálculo final somou:
-
4,18% de inflação;
-
2,5% de aumento real.
O resultado elevou o salário mínimo para R$ 1.621 em 2026.
O reajuste do salário mínimo tem efeito direto sobre as despesas do governo federal. Segundo estimativas oficiais, cada R$ 1 de aumento gera um custo adicional de cerca de R$ 420 milhões por ano.
Com a elevação de R$ 103 no piso nacional, o impacto estimado é de aproximadamente R$ 43,2 bilhões em despesas obrigatórias em 2026. Isso reduz a margem para gastos discricionários, como investimentos e programas do governo.
Apesar do impacto fiscal, o aumento do salário mínimo também eleva o poder de compra de milhões de brasileiros e influencia positivamente o consumo e a renda média no país.



Uma resposta