Projeto prevê salário mínimo para estagiários e cria cotas obrigatórias

Texto altera Lei do Estágio, estabelece piso, proíbe trabalho aos fins de semana e prevê fiscalização pelas instituições de ensino

Um projeto em análise na Câmara dos Deputados propõe mudanças estruturais nas regras de estágio no Brasil, incluindo a criação de salário mínimo para estagiários e a obrigatoriedade de remuneração em todas as modalidades. A proposta também prevê cotas, benefícios e novas exigências para empresas e instituições de ensino.

O texto, de autoria do deputado Orlando Silva e outros parlamentares, altera a Lei do Estágio e ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado para entrar em vigor.

A proposta estabelece que todos os estágios deverão ser remunerados, inclusive os obrigatórios, que hoje podem ser não remunerados.

Nos casos de estágio não obrigatório, o valor mínimo previsto é de 1 salário mínimo, atualmente em R$ 1.621.

Já para estágios obrigatórios, o texto determina a oferta de benefícios mínimos, como:

  • Vale-transporte integral

  • Bolsa-auxílio

  • Vale-refeição de pelo menos R$ 28,30 por dia

Segundo os autores, a medida busca evitar o uso do estágio como forma de mão de obra barata.

O projeto também impõe restrições à jornada dos estagiários. Uma das principais mudanças é a proibição de atividades aos finais de semana.

Pelo texto, os estágios deverão ocorrer exclusivamente em dias úteis, com o objetivo de preservar o caráter educacional da atividade.

Além disso, o descumprimento das regras pode gerar consequências diretas para as empresas: o estágio poderá ser reconhecido como vínculo empregatício formal, com todos os direitos previstos na legislação trabalhista.

A proposta cria um modelo de inclusão obrigatória nas vagas de estágio.

As empresas deverão reservar:

  • 25% das vagas para pessoas pretas, pardas ou indígenas

  • 10% das vagas para pessoas com deficiência

A medida segue a lógica de políticas afirmativas já adotadas em outros setores e busca ampliar o acesso ao mercado de trabalho para grupos historicamente sub-representados.

Outro ponto central do projeto é o reforço na fiscalização.

As instituições de ensino serão obrigadas a criar um órgão interno responsável por:

  • Acompanhar o cumprimento das regras

  • Receber denúncias de estudantes

  • Garantir canais de comunicação

A ideia é ampliar a proteção dos estagiários e evitar irregularidades na relação entre empresas e estudantes.

O projeto será analisado em caráter conclusivo por comissões da Câmara, incluindo:

  • Trabalho

  • Educação

  • Finanças e Tributação

  • Constituição e Justiça

Se aprovado, seguirá para o Senado. Só após essa etapa poderá ser sancionado e transformado em lei.

A proposta reacende o debate sobre o papel do estágio no Brasil (entre formação profissional e relações de trabalho) e pode alterar de forma significativa a entrada de jovens no mercado.

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