A queda do dólar abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos reflete uma combinação de fatores externos e internos que têm alterado o fluxo global de investimentos e favorecido o real.
A moeda americana acumulou o quarto dia consecutivo de recuo frente à divisa brasileira em 13 de abril, movimento impulsionado principalmente pela saída de capital dos Estados Unidos em direção a outros mercados.
O principal fator por trás da desvalorização recente da moeda americana é a mudança na alocação de recursos no cenário internacional.
Com o aumento das incertezas envolvendo decisões de política externa dos Estados Unidos, investidores passaram a buscar ativos em outros países. Esse movimento reduz a demanda por dólar e aumenta a procura por moedas emergentes, como o real.
Na prática, quando investidores estrangeiros aplicam recursos no Brasil, eles vendem dólares para comprar reais, ampliando a oferta da moeda americana e pressionando sua cotação para baixo.
O ambiente externo também tem contribuído diretamente para esse movimento.
A escalada de tensões no Oriente Médio, incluindo medidas relacionadas ao Estreito de Ormuz, elevou a volatilidade nos mercados e gerou dúvidas sobre os desdobramentos econômicos globais.
Esse tipo de cenário costuma provocar:
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Redirecionamento de capital para mercados considerados mais atrativos no curto prazo
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Oscilações nos preços de commodities, como o petróleo
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Ajustes no comportamento de moedas globais
Mesmo com o risco geopolítico, sinais pontuais de retomada de negociações e recuperação das bolsas internacionais também ajudaram a melhorar o humor do mercado, reforçando a queda do dólar.
Queda do dólar
Além do cenário externo, o Brasil apresenta condições que têm sustentado a valorização da moeda local.
Entre os principais pontos estão:
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Diferencial de juros: taxas mais elevadas no Brasil em comparação aos EUA atraem investidores em busca de maior retorno
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Entrada de capital estrangeiro: aumento do fluxo para a bolsa e outros ativos
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Força das commodities: o país é exportador relevante, o que melhora a balança comercial
Esse conjunto de fatores torna o real mais atrativo no contexto global, especialmente entre países emergentes.
A queda do dólar não é um movimento isolado de curto prazo.
Em 2025, a moeda americana já havia acumulado recuo de 11,8% frente ao real, refletindo uma tendência iniciada com expectativas de juros mais baixos nos Estados Unidos e aumento das incertezas políticas no país.
Esse cenário reduziu a atratividade do dólar e abriu espaço para uma redistribuição global de investimentos.
A continuidade desse movimento dependerá da evolução de fatores como:
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Política externa e econômica dos Estados Unidos
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Dinâmica dos conflitos internacionais
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Decisões de juros em economias centrais
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Fluxo de capital para mercados emergentes
Mudanças nesses elementos podem alterar rapidamente a trajetória do câmbio.


