Estreito de Ormuz: Tráfego naval dispara na trégua e cai após novo fechamento iraniano

Tráfego foi interrompido após violação de cessar-fogo por Israel; negociações internacionais seguem em andamento

O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, voltou a ser fechado pelo Irã nesta quarta-feira (8), interrompendo o trânsito de navios comerciais após um breve período de reabertura motivado por um cessar-fogo temporário na guerra entre EUA e Israel contra o Irã.

Dados de monitoramento naval indicam que o fluxo de embarcações havia aumentado nos últimos dias, impulsionado pela trégua de duas semanas acordada entre as partes envolvidas no conflito.

No entanto, a passagem foi novamente suspensa após a escalada de tensões no Oriente Médio.

Fechamento ocorre após ataques no Líbano

De acordo com a agência Fars, o governo iraniano justificou o bloqueio do estreito alegando “violações de Israel ao cessar-fogo”, em referência aos recentes bombardeios israelenses no Líbano.

Segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques desta quarta-feira (8) resultaram em mais de 200 mortes, intensificando o cenário de instabilidade na região.

O acordo firmado anteriormente previa a interrupção de ataques ao território iraniano por duas semanas.

Em contrapartida, o Irã havia se comprometido a reabrir o Estreito de Ormuz, sob supervisão de suas forças militares. Trata-se do ponto crucial para o transporte global de petróleo.

Declarações elevam tensão internacional

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou estar preparada para reagir a qualquer nova ofensiva “com as mãos no gatilho”

Segundo a agência Tasnim, forças iranianas seguem: “prontas para agir a qualquer ataque com mais força”.

As declarações aumentam a preocupação global sobre uma possível ampliação do conflito.

Negociações internacionais seguem em Islamabad

Uma nova rodada de negociações está prevista para sexta-feira (10), na capital do Paquistão, Islamabad.

O encontro foi anunciado pelo primeiro-ministro Shehbaz Sharif, que atua como mediador.

Em comunicado, Sharif declarou:

“Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato.

(…) Acolho calorosamente esse gesto sensato e expresso minha mais profunda gratidão à liderança de ambos os países, convidando suas delegações a Islamabad na sexta-feira, 10 de abril de 2026, para dar continuidade às negociações rumo a um acordo definitivo que resolva todas as disputas”.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian confirmou a participação do país. A delegação iraniana será liderada por Mohammad Bagher Ghalibaf.

Confira o imagem do Estreito de Ormuz fechado na guerra:

Estreito de Ormuz - fechado após início da guerra
Foto: Reprodução

Veja a movimentação no Estreito de Ormuz após a trégua entre EUA e Irã:

Estreito de Ormuz - movimentação retomada após trégua
Foto: Reprodução

Agora confira imagem do Estreito de Ormuz com o tráfego novamente interrompido diante dos bombardeios de Israel no Líbano:

Estreito de Ormuz - trafego volta a ser interrompido
Foto: Reprodução

Papel dos Estados Unidos e avanço das negociações

Os Estados Unidos ainda não confirmaram oficialmente sua delegação, mas autoridades como o vice-presidente J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner podem participar.

Vance afirmou que o presidente Donald Trump está: “impaciente” por avanços nas negociações e destacou a necessidade de que o Irã negocie “em boa fé”.

Trump afirma avanço em acordo de paz

O presidente norte-americano declarou que os objetivos militares dos EUA já foram alcançados e que há progresso significativo rumo a um acordo definitivo.

“Um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído”.

Trump também mencionou que recebeu uma proposta iraniana com dez pontos, considerada uma base viável para negociação.

Proposta iraniana inclui 10 pontos-chave

Segundo a agência Mehr, o plano apresentado pelo Irã inclui:

  • Não agressão entre as partes.
  • Controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.
  • Reconhecimento do enriquecimento de urânio.
  • Suspensão de sanções internacionais.
  • Revogação de resoluções da ONU e da AIEA.
  • Pagamento de indenizações.
  • Retirada de forças militares dos EUA.
  • Encerramento de conflitos na região, incluindo o Líbano.

Cessar-fogo temporário condiciona estabilidade

Em comunicado oficial, Trump afirmou:

“Com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e com o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva que seria empregada esta noite contra o Irã, e condicionado ao fato de a República Islâmica do Irã concordar com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!

A razão para isso é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares, e estamos muito avançados em um acordo definitivo voltado para a PAZ de longo prazo com o Irã, e para a PAZ no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela representa uma base viável para negociação. Quase todos os pontos de divergência do passado já foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído.

Em nome dos Estados Unidos da América, como presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver esse problema de longa data próximo de uma solução. Obrigado pela atenção a este assunto!

Presidente DONALD J. TRUMP”. 

ameaça de Trump ao Irã
Foto: Shutterstock

Impacto global e cenário incerto

Contudo, após o cessar-fogo anunciado por Donald Trump, Israel continuou a bombardear o Líbano, e o Irã decidiu fechar novamente o Estreito de Ormuz.

O fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por uma parcela significativa do transporte global de petróleo, reacende preocupações econômicas e geopolíticas.

A evolução das negociações nos próximos dias será decisiva para definir o rumo da crise.

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