As mudanças bruscas de temperatura têm impacto direto no organismo e podem reduzir as defesas naturais do corpo, aumentando o risco de infecções e crises respiratórias. O alerta é de especialistas da área de otorrinolaringologia, que apontam uma relação direta entre o clima instável e o agravamento de doenças como rinite, sinusite e gripes.
Segundo o médico Luciano Gregório, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, a variação térmica interfere no funcionamento do sistema respiratório.
“É como se a defesa tivesse uma abertura danificada, permitindo que vírus se aproveitem dessa condição”, explica.
O frio e o ar seco alteram a fisiologia das vias aéreas e dificultam funções básicas, como aquecer e umidificar o ar inspirado. Esse cenário favorece:
- infecções virais, como gripes e resfriados
- crises de rinite, inclusive não alérgica
- sinusites e inflamações nasais
- agravamento de quadros respiratórios crônicos
Além disso, fatores comuns em dias frios (como ambientes fechados, poeira e perfumes) podem intensificar sintomas como congestão nasal e irritação.
Outro ponto crítico é o comportamento das pessoas durante períodos de frio. A permanência em locais fechados e pouco ventilados aumenta a circulação de vírus respiratórios.
Já o ar seco, comum em ambientes com aquecedores ou baixa umidade, contribui para o ressecamento das vias aéreas, tornando o organismo mais vulnerável.
Especialistas destacam que hábitos cotidianos podem reduzir significativamente os impactos do clima instável na saúde respiratória.
Entre as principais recomendações estão:
- manter-se hidratado ao longo do dia
- realizar lavagem nasal com soro fisiológico de uma a quatro vezes ao dia
- evitar ambientes fechados e aglomerações
- manter rotina de sono e alimentação equilibrada
- controlar a umidade do ambiente, evitando excesso que favoreça mofo e ácaros
A lavagem nasal, em especial, ajuda a remover partículas, fluidificar secreções e reduzir inflamações.
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas, como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), estão entre os mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.
Nesses casos, qualquer sinal de agravamento, como tosse persistente, febre ou chiado no peito, deve ser avaliado por um médico.
A queda de temperatura não afeta apenas o conforto, mas também o funcionamento do organismo. A dificuldade do corpo em se adaptar rapidamente às oscilações térmicas cria um ambiente propício para doenças.
Nesse cenário, a prevenção passa menos por soluções complexas e mais por consistência em cuidados básicos, que ajudam o sistema respiratório a manter sua capacidade de defesa mesmo diante das variações do clima.


