Pediatra alerta para danos do uso de telas em crianças: “cérebro derretendo”

Especialista aponta prejuízos cognitivos e emocionais enquanto nova legislação amplia proteção no ambiente online

O uso de telas em crianças voltou ao centro do debate público após alerta do pediatra Daniel Becker, que destacou impactos significativos no desenvolvimento infantil. A discussão ganha força com a entrada em vigor do chamado ECA Digital, nesta terça-feira (17), que estabelece novas regras para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.

Em entrevista à GloboNews, o especialista afirmou que a exposição excessiva a dispositivos digitais pode causar prejuízos cognitivos, físicos e emocionais, muitas vezes de forma silenciosa no cotidiano.

Segundo Daniel Becker, o uso de telas em crianças, especialmente em idades muito precoces, pode comprometer etapas importantes do desenvolvimento.

O pediatra descreveu como preocupante a cena cada vez mais comum de crianças pequenas utilizando smartphones de forma contínua.

“Quando eu vejo uma criança de 5 anos com o celular na mão, deslizando vídeo, eu fico desesperado”, afirmou.

De acordo com ele, o impacto não se limita ao comportamento imediato, mas pode afetar áreas essenciais como:

  • Capacidade de atenção

  • Desenvolvimento cognitivo

  • Regulação emocional

  • Saúde física

O alerta se concentra principalmente no uso sem mediação adequada por parte de responsáveis.

Entre os fatores considerados críticos estão:

  • Uso prolongado de telas

  • Acesso precoce a redes sociais

  • Consumo contínuo de vídeos curtos

  • Falta de atividades offline

Especialistas destacam que o problema não está apenas na tecnologia, mas na frequência e intensidade do uso, especialmente quando substitui experiências essenciais da infância.

ECA Digital entra em vigor

Diante desse cenário, o ECA Digital passa a valer com o objetivo de reforçar a proteção de crianças e adolescentes na internet.

A nova regulamentação estabelece diretrizes que envolvem:

  • Maior responsabilidade das plataformas digitais

  • Regras para uso por menores de idade

  • Ampliação da segurança no ambiente online

A proposta busca adaptar o Estatuto da Criança e do Adolescente às dinâmicas atuais do mundo digital.

Apesar da nova legislação, especialistas reforçam que a proteção não depende apenas de regras formais.

O próprio Daniel Becker destacou a importância da atuação conjunta entre:

  • Família

  • Sociedade

  • Instituições

A orientação é que pais e responsáveis acompanhem de perto o uso da tecnologia, estabelecendo limites e incentivando outras atividades.

O debate sobre o uso de telas em crianças não se resume à proibição, mas ao equilíbrio.

A recomendação geral inclui:

  • Controle de tempo de exposição

  • Supervisão de conteúdos

  • Estímulo a atividades físicas e sociais

  • Uso consciente da tecnologia

Com o avanço das plataformas digitais, o tema tende a ganhar ainda mais relevância, especialmente diante dos impactos a longo prazo no desenvolvimento infantil.

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