“Novelas de frutas” viralizam nas redes e preocupam especialistas

Vídeos com estética infantil acumulam milhões de views enquanto escondem roteiros com violência e preconceito

As chamadas “novelas de frutas” se tornaram um dos conteúdos mais virais das redes sociais em 2026, acumulando milhões de visualizações em plataformas como TikTok e Instagram.

Com personagens como abacates, morangos e bananas, os vídeos simulam dramas típicos de novelas, mas com um diferencial: são inteiramente criados com inteligência artificial.

Apesar do tom aparentemente leve e da estética que remete a desenhos infantis, especialistas têm alertado para o conteúdo por trás dessas produções, que frequentemente inclui violência, misoginia e linguagem agressiva.

A origem exata do fenômeno é difusa, mas perfis internacionais que adaptaram formatos de reality shows para versões animadas com frutas ajudaram a impulsionar o formato.

No Brasil, a tendência ganhou contornos próprios. Os roteiros passaram a incorporar referências culturais locais, com diálogos e situações inspiradas em programas populares e no cotidiano das redes.

Personagens como “Abacatudo” e “Moranguete” protagonizam histórias rápidas, geralmente com duração inferior a 1 minuto, marcadas por:

  • Conflitos amorosos

  • Traições

  • Discussões exageradas

  • Situações de humilhação

A fórmula simples e repetitiva favorece o engajamento e facilita a viralização.

O sucesso das animações não ficou restrito ao entretenimento. A estética e o formato rapidamente foram convertidos em um modelo de monetização.

Cursos online começaram a ser vendidos prometendo ensinar usuários a criar conteúdos semelhantes e gerar renda com vídeos virais. Plataformas de infoprodutos concentram ofertas que ensinam desde a criação de personagens até estratégias de engajamento.

A proposta é transformar perfis comuns em produtores de conteúdo automatizado, muitas vezes sem exposição pessoal.

O principal ponto de preocupação levantado por especialistas está na dissociação entre forma e conteúdo.

Embora visualmente semelhantes a animações voltadas ao público infantil, os vídeos frequentemente apresentam:

  • Discursos preconceituosos

  • Violência verbal e física

  • Estereótipos de gênero

  • Relações abusivas normalizadas

Segundo psicólogos, essa combinação pode ser especialmente problemática para crianças e adolescentes, que tendem a consumir o conteúdo sem o filtro crítico necessário.

Além disso, diferentemente de produções tradicionais, as narrativas não apresentam consequências ou reflexão sobre os comportamentos exibidos.

O alcance das “novelas de frutas” também chamou a atenção de marcas e perfis institucionais, que passaram a replicar o formato para aproveitar o engajamento.

Esse movimento amplia ainda mais a exposição do público ao conteúdo, inclusive entre usuários mais jovens.

Embora plataformas como TikTok e Instagram mantenham regras para proteção de menores e remoção de conteúdos inadequados, o volume e a velocidade de produção dificultam o controle total.

Especialistas defendem que, enquanto não há regulação mais específica, o papel das famílias e da mediação no consumo digital se torna ainda mais relevante.

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