O rapper Ye, conhecido como Kanye West, teve sua entrada no Reino Unido negada pelo governo britânico devido ao histórico de falas antissemitas, o que resultou no cancelamento do tradicional Wireless Festival, realizado em Londres.
A decisão foi confirmada por autoridades e organizadores do evento, gerando ampla repercussão no cenário cultural e político.
Festival cancelado após negativa de entrada
Segundo comunicado oficial do evento, o Ministério do Interior do Reino Unido revogou a autorização eletrônica de viagem do artista, impedindo sua participação no festival.
“O [Ministério] retirou a [autorização] de YE, negando a entrada dele no Reino Unido. Como resultado, o Wireless Festival está cancelado e reembolsos serão emitidos para todos os compradores de ingressos”, informou a organização.
De acordo com a BBC, o governo britânico justificou a decisão afirmando que a presença do rapper “não seria favorável ao bem público”.
O pedido de autorização para viagem foi feito na segunda-feira (6) e rejeitado pouco depois.
Pressão de entidades e reação dos organizadores
Os organizadores do Wireless afirmaram que seguiram os procedimentos habituais antes de confirmar a contratação do artista.
“Como em todo Wireless Festival, várias partes interessadas foram consultadas antes de contratar YE e nenhuma preocupação foi apontada naquele momento.
O antissemitismo em todas as suas formas é abominável, e reconhecemos o impacto real e pessoal desse tema”, declarou o festival.
Entidades judaicas e grupos de combate ao antissemitismo pressionaram pelo cancelamento da apresentação. Um porta-voz da Campaign Against Antisemitism afirmou:
“O governo claramente tomou a decisão certa aqui. Pela primeira vez, quando disse que o antissemitismo não tem lugar no Reino Unido, sustentou suas palavras com ação”.
A mesma entidade também criticou a postura do festival:
“O Wireless Festival, em sua busca desesperada por lucro, defendeu o convite até o fim. Isso é vergonhoso, e seus patrocinadores devem continuar a ficar longe”.
Autoridades britânicas criticam participação do artista
Antes da decisão oficial, Kanye West havia sinalizado interesse em dialogar com a comunidade judaica no Reino Unido.
“Eu sei que palavras não bastam. Vou ter que mostrar mudança por meio das minhas ações. Se vocês estiverem abertos, eu estou aqui”, afirmou o rapper.
O Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos declarou que não recusou diálogo, mas reforçou que o convite ao rapper deveria ser retirado:
“Nem o Conselho de Deputados, nem, pelo que entendemos, o Conselho de Liderança Judaica recusou qualquer pedido para se reunir com os organizadores do Wireless. Quando o Conselho de Deputados recebeu uma carta propondo uma reunião, em resposta a uma carta que enviamos expondo nossas preocupações, respondemos positivamente.
De qualquer forma, está claro para nós que o convite para Kanye West se apresentar deve ser rescindido”.
O primeiro-ministro Keir Starmer também se posicionou:
“O antissemitismo, em qualquer forma, é abominável e deve ser enfrentado com firmeza onde quer que apareça”.
Já o secretário de Saúde, Wes Streeting, declarou:
“Se ele quer perdão, não é o meu perdão que ele precisa. É o perdão das comunidades judaicas e eu não acho que ele tenha feito algo para merecê-lo”.
Confira a publicação oficial do festival no Instagram:
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Histórico recente de controvérsias
O episódio ocorre após uma série de declarações polêmicas feitas por Ye entre 2024 e 2025. Em janeiro, o artista publicou uma carta aberta pedindo desculpas por falas associadas ao nazismo, atribuindo os comentários a questões de saúde mental.
Na ocasião, afirmou ter “perdido a noção da realidade” e negou ser nazista ou antissemita, além de mencionar que buscou tratamento após um episódio de mania.
Além disso, o rapper já havia enfrentado cancelamentos anteriores. Em 2025, um show previsto no Brasil foi suspenso após investigação do Ministério Público de São Paulo sobre possíveis discursos de ódio durante a apresentação.
Impacto no setor de eventos e na indústria musical
O cancelamento do Wireless Festival destaca o impacto de decisões governamentais e pressões institucionais sobre grandes eventos musicais.
A suspensão também levanta discussões sobre critérios de contratação de artistas e responsabilidade social no entretenimento.


