A Shopee removeu parte de um esquema que comercializava camisas falsas da Copa de 2026 disfarçadas como “kits de panos de cozinha”, mas alguns anúncios ainda permanecem ativos na plataforma.
Com a proximidade da Copa do Mundo 2026, diversas seleções já começaram a lançar seus novos uniformes oficiais, movimentando torcedores ao redor do mundo.
No entanto, além da expectativa, os preços elevados das camisas têm chamado atenção e gerado críticas nas redes sociais.
Preços altos impulsionam busca por alternativas
As novas camisas oficiais chegam ao mercado com valores considerados altos por muitos consumidores. Alguns modelos ultrapassam os R$ 500, como é o caso da recém-lançada camisa amarela da Seleção Brasileira, que está sendo vendida pela Nike por valores que vão de R$ 449,99 a R$ 749,99.
Outro exemplo é a nova camisa da seleção da França, vendida por 160 euros (cerca de R$ 985,00).
Veja os valores da nova camisa do Brasil no site da Nike. Acesse clicando aqui:

Nas redes sociais, internautas têm reclamado dos preços, afirmando que os produtos se tornaram inacessíveis para grande parte dos torcedores brasileiros.
Diante desse cenário, cresce a procura por versões mais baratas, como as chamadas “camisas tailandesas”, conhecidas por serem réplicas visualmente semelhantes aos modelos originais.
Esquema usava anúncios de panos de prato
Foi nesse contexto que a Shopee identificou e removeu parte de um esquema de venda irregular dentro da plataforma.
Os vendedores anunciavam produtos como “Kit de 6 Panos de Cozinha” ou “Kit de Panos de Prato”, mas, na prática, utilizavam a descrição e imagens para tentar comercializar camisas falsificadas de seleções da Copa do Mundo.
A estratégia consistia em mascarar a venda dos itens falsificados para driblar os sistemas de fiscalização do marketplace.
A Shopee derrubou parte do esquema, mas alguns links ainda seguem ativos na plataforma.
Confira uma captura de tela:

Confira:
1: https://t.co/fGKshspu2q
2: https://t.co/vKCrHcP8dI pic.twitter.com/T1xlAybpsw— Achadinhos da Shô (@achadinhodasho) March 23, 2026
Histórico de denúncias e multa aplicada
A plataforma já havia sido alvo de ações por irregularidades relacionadas à venda de produtos falsificados.
A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro (SEDCON) e o Procon-RJ aplicaram uma multa de R$ 200 mil à empresa em novembro de 2025, após denúncias de consumidores.
Segundo os órgãos, foram identificados indícios de:
- Publicidade enganosa;
- Falta de informações claras aos consumidores;
- Comercialização de produtos falsificados em categorias como eletrônicos, roupas, calçados e cosméticos.
A Diretoria de Fiscalização do Procon-RJ apontou, na época, que muitos anúncios utilizavam imagens de produtos originais associadas a itens de baixo custo, o que poderia induzir o consumidor ao erro.
Riscos à saúde e prejuízos financeiros
De acordo com o relatório, além de prejuízos financeiros, houve registros de consumidores que sofreram danos à saúde após a compra de produtos falsificados sem garantia de procedência ou qualidade.
A recomendação dos órgãos de defesa é que consumidores utilizem canais oficiais para registrar denúncias e fiquem atentos a ofertas com preços muito abaixo do mercado.
O secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca, destacou a importância da conscientização:
“Muita gente não sabe que está comprando um produto falsificado. A pessoa é atraída pelo preço ou pela aparência semelhante ao original.
O problema é que o consumidor perde dinheiro e corre riscos, porque esses produtos não passam por nenhum teste de qualidade que garanta segurança ou durabilidade”, destacou Fonseca, ao site do Procon-RJ.
Shopee afirma reforçar fiscalização
Procurada para comentar o caso do ano passado, a Shopee informou que mantém sistemas contínuos de monitoramento e revisão de anúncios na plataforma. Segundo a empresa:
“Na Shopee, temos o compromisso de fornecer a todos os nossos usuários uma experiência de compra segura e agradável.
Mantemos sistemas contínuos de revisão e remoção de anúncios que violem nossas políticas, incluindo a Política de Produtos Proibidos e Restritos, que proíbe expressamente a venda de produtos falsificados”, comentou a empresa.
A companhia também afirmou que promove treinamentos para vendedores e pode aplicar restrições àqueles que descumprirem as regras estabelecidas.
Com a crescente demanda por produtos ligados à Copa do Mundo 2026, autoridades e plataformas de comércio eletrônico reforçam a necessidade de atenção redobrada por parte dos consumidores na hora da compra online.


