O estilista Valentino Garavani, fundador da grife Valentino, morreu nesta segunda-feira, dia 19, aos noventa e três anos, em Roma.
A informação foi confirmada em comunicado oficial divulgado pela Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti.
Considerado um dos nomes centrais da alta-costura do século XX, Valentino construiu uma carreira marcada pela consolidação de um ideal de glamour romântico, feminino e luxuoso, que ajudou a moldar a percepção contemporânea da elegância italiana no cenário internacional da moda.
Publicações especializadas como Harper’s Bazaar e W Magazine frequentemente atribuíram ao estilista um papel fundamental na definição de códigos estéticos que atravessaram décadas, especialmente no universo dos tapetes vermelhos, da alta sociedade e dos grandes eventos cerimoniais.
Nascido em Voghera, no norte da Itália, em 1932, Valentino demonstrou ainda jovem o desejo de seguir carreira na moda, inspirado pelo impacto visual dos figurinos clássicos do cinema de Hollywood.
A formação técnica, no entanto, foi consolidada na França. Valentino estudou na École des Beaux-Arts e na Chambre Syndicale de la Couture, em Paris, além de ter passado por casas renomadas como as de Jean Dessès e Guy Laroche, experiências decisivas para o refinamento de sua costura.
O nascimento da maison Valentino
De volta à Itália, Valentino abriu seu ateliê em Roma, na Via Condotti, em 1959. Pouco depois, conheceu Giancarlo Giammetti, parceiro de negócios e de vida, com quem estruturou a marca.
A estreia oficial da maison aconteceu em 1962, no Palazzo Pitti, em Florença, e foi imediatamente recebida como um marco do luxo italiano, atraindo clientes internacionais e consolidando o nome Valentino no circuito global da moda.
A estética criada por Valentino é descrita pela crítica como ultra-feminina, elegante e teatral na medida exata. Entre seus códigos mais reconhecíveis estão:
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Linhas limpas e precisas
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Uso recorrente de chiffon, laços e flores
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Contrastes clássicos entre preto e branco
O elemento mais emblemático, no entanto, é o vermelho Valentino, tonalidade que se tornou símbolo da marca e da própria ideia de glamour noturno, associada a uma mulher idealizada, ao mesmo tempo poderosa e delicada.
Valentino foi estilista de confiança de figuras como Jackie Kennedy Onassis, Elizabeth Taylor, Sophia Loren e membros da realeza europeia, o que ajudou a consolidar sua imagem junto ao jet set internacional.
Mesmo após sua aposentadoria, o legado estético da casa foi preservado e reinterpretado por diretores criativos como Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, mantendo viva a identidade criada pelo fundador e adaptando-a às novas gerações.
Com sua morte, a moda internacional perde um de seus últimos grandes couturiers clássicos, cuja visão ajudou a transformar a alta-costura em sinônimo de espetáculo, desejo e permanência.


