A Pantone anunciou nesta quinta-feira (4) a PANTONE 11-4201 Cloud Dancer como a Cor do Ano de 2026.
Descrita pela empresa como “um neutro branco elevado, cuja presença arejada funciona como um sussurro de calma e paz em um mundo barulhento”, a escolha simboliza, segundo o instituto, a busca por leveza e foco em um contexto global saturado de estímulos.
A Pantone afirma que o tom representa “uma influência tranquilizadora em uma sociedade que redescobre o valor da reflexão silenciosa”, evocando serenidade e espaço mental para a criatividade.
Apesar da proposta pacífica, o anúncio rapidamente ganhou tonalidades políticas.
Em um momento em que os Estados Unidos enfrentam um debate intenso sobre diversidade, equidade e inclusão (DEI), tema frequentemente transformado em combustível político, a escolha de um tom branco provocou críticas imediatas.
Termos como “whitewashing” e “Pantonedeaf” viralizaram nas redes sociais, indicando que parte do público enxergou na decisão um gesto insensível ao clima cultural atual.
A controvérsia também ecoou discussões recentes da indústria da moda. A campanha da American Eagle com Sydney Sweeney, cujo slogan “good genes” foi interpretado como de conotação discriminatória por parte dos consumidores, ainda reverbera na imprensa.
Nesse ambiente, a declaração anual da Pantone, tradicionalmente celebrada por designers e profissionais criativos, tornou-se alvo de escrutínio ampliado.
Diante da repercussão inesperada, a Pantone se manifestou negando qualquer intenção política. De acordo com Leatrice Eiseman, diretora executiva do Pantone Color Institute, a escolha se baseia exclusivamente na psicologia das cores e nos sentimentos que o tom desperta.
“As cores têm significados diversos dependendo do contexto. ‘Cloud Dancer’ é um convite à reflexão e à criatividade”, afirmou.
A seleção da Cor do Ano é uma tradição iniciada em 1999, e esta é a primeira vez que um tom predominantemente branco ocupa o posto.
Para a Pantone, “Cloud Dancer” funciona como uma tela em branco, um ponto de partida simbólico para um ciclo em que introspecção, calma e reinvenção ganham força.
“Todos olhamos para as nuvens em busca de inspiração. Este simples ato nos une através da leveza delas”, acrescentou Eiseman.
Enquanto parte do público questiona a decisão, especialistas em moda, decoração e design já começam a divulgar combinações possíveis com o novo tom, sinal de que, independentemente da polêmica, a Cor do Ano segue ditando tendências e influenciando criadores ao redor do mundo.


