Fiocruz reforça preparação do SUS para eventual resposta ao vírus Nipah

Protocolos de diagnóstico e fluxos assistenciais são alinhados de forma preventiva, sem indicação de risco para a população brasileira

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) atua de forma preventiva no apoio à preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para uma eventual necessidade de resposta ao vírus Nipah (NiV).

A iniciativa ocorre mesmo sem evidências de disseminação internacional do patógeno ou risco à população brasileira, em consonância com as avaliações do Ministério da Saúde (MS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Atualmente, há registro de dois casos confirmados na Índia, sem circulação do vírus fora do Sudeste Asiático.

Diante desse cenário, a estratégia adotada no Brasil prioriza o fortalecimento da capacidade diagnóstica e da assistência em saúde, com protocolos e fluxos operacionais previamente definidos.

Protocolos preventivos e organização do atendimento

Em caráter preventivo, Fiocruz e Ministério da Saúde alinharam protocolos de diagnóstico e fluxos operacionais para situações suspeitas relacionadas ao vírus Nipah.

O planejamento estratégico também prevê a disponibilidade de kits diagnósticos, validada junto à Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB).

No país, a análise de eventuais amostras suspeitas será centralizada no Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), designado como Laboratório de Referência do Ministério da Saúde para o vírus Nipah.

Já o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) atuará como unidade hospitalar de referência para a assistência a casos suspeitos.

“Embora não haja qualquer indicação de risco no Brasil, é papel da Fiocruz manter sua estrutura e seu conjunto de especialistas preparados”, afirma a coordenadora de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Tânia Fonseca.

Nipah - vírus
Foto: Shutterstock

Avaliação internacional aponta baixo risco de pandemia

De acordo com a avaliação da OMS e do Ministério da Saúde, o risco de uma pandemia causada pelo vírus Nipah é considerado baixo.

A coordenadora da Fiocruz destaca que a circulação do patógeno permanece restrita a determinadas regiões da Ásia. “Até o momento, o vírus só circulou no Sul e Sudeste da Ásia”, assegura Tânia Fonseca.

“Eventualmente, surgem surtos de Nipah. Isso já aconteceu na Malásia, em Singapura, na Índia, em Bangladesh, nas Filipinas e, atualmente, de novo na Índia.

O vírus está na lista de patógenos prioritários da OMS, ao lado de outros com provável potencial pandêmico e/ou de gravidade acentuada”, enfatiza.

Segundo a especialista, não há qualquer indicação de risco no Brasil, mas a preparação antecipada faz parte do papel institucional da Fiocruz diante de agentes com potencial impacto em saúde pública.

Transmissão zoonótica e ausência de risco no Brasil

O vírus Nipah é caracterizado como uma zoonose, com transmissão associada principalmente a morcegos frugívoros da família Pteropodidae, conhecidos como raposas-voadoras.

A infecção pode ocorrer por ingestão de alimentos contaminados por saliva ou urina desses animais, além de, mais raramente, por contato direto entre pessoas ou com superfícies contaminadas.

Esses morcegos, considerados os hospedeiros naturais do vírus, não existem no Brasil. O coordenador-executivo da Fiocruz Mata Atlântica, Ricardo Moratelli, explica que as espécies hospedeiras estão restritas a outras regiões do mundo.

“Não existem raposas-voadoras no Brasil e nem nas Américas. Além disso, não há qualquer evidência de circulação do vírus Nipah nas espécies que ocorrem aqui no Brasil”, comentou.

Moratelli também destaca a relevância ambiental desses animais. “Os morcegos desempenham importantes serviços ecossistêmicos como dispersores de sementes, polinizadores, predadores de insetos que são pragas agrícolas ou vetores de agentes infecciosos que causam doenças em humanos e animais e, como qualquer outro grupo animal, têm importante papel na manutenção de ecossistemas”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Envie sua notícia!

Participe do OCorre enviando notícias, fotos ou vídeos de fatos relevantes.
Preencha o formulário abaixo e, após verificação de nossa equipe, seu conteúdo poderá ser publicado.