A infestação de maruim em Ilhota, no Vale do Itajaí (SC), tem alterado a rotina de moradores e acendido um alerta sanitário na região. Pequeno e difícil de conter, o mosquito é conhecido por atravessar telas comuns e provocar picadas intensas, com coceira e irritação na pele.
Além do incômodo, o principal motivo de preocupação é a capacidade de transmissão da febre do Oropouche, doença viral que ainda não possui vacina e pode ser confundida com dengue.
Moradores relatam mudanças drásticas no dia a dia. Mesmo com temperaturas acima de 30°C, muitos passaram a usar roupas compridas, luvas e até casacos para evitar as picadas.
Em alguns casos, atividades simples, como abrir portas e janelas ou permitir que crianças brinquem ao ar livre, se tornaram inviáveis.
A sensação descrita por moradores é de confinamento forçado, com casas mantidas fechadas durante boa parte do dia para evitar a entrada dos insetos.
O que é o maruim
O maruim é um inseto extremamente pequeno, pertencente ao grupo dos mosquitos, e se destaca pela capacidade de passar por frestas e telas convencionais.
Segundo especialistas, apenas as fêmeas picam, pois necessitam de sangue para a produção de ovos, comportamento semelhante ao de mosquitos transmissores de doenças como dengue e malária.
A picada costuma causar:
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Ardência imediata
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Coceira intensa
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Inchaço na pele
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Reações alérgicas em casos mais sensíveis
Embora o incômodo físico seja o efeito mais comum, o maruim também pode atuar como vetor de patógenos.
Em humanos, o principal risco é a febre do Oropouche, doença viral que apresenta sintomas semelhantes aos de outras arboviroses.
Entre os sinais mais frequentes estão:
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Febre
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Dor nas articulações
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Mal-estar
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Sintomas parecidos com dengue
Até o momento, não há vacina específica para a doença, o que aumenta a preocupação em áreas com alta concentração do inseto.
A prefeitura de Ilhota informou que tem adotado medidas para conter a infestação, mas enfrenta limitações.
Um dos principais desafios é a ausência de produtos comprovadamente eficazes para o combate direto ao maruim. A situação também já foi registrada em municípios vizinhos, indicando possível expansão do problema.
Especialistas destacam que surtos com grande concentração do inseto aumentam o risco tanto de reações dermatológicas quanto de transmissão de doenças.
O cenário reforça a importância de medidas preventivas individuais, como o uso de roupas protetoras e repelentes, além do monitoramento contínuo pelas autoridades de saúde.
A infestação em Santa Catarina evidencia como vetores menos conhecidos podem ganhar relevância em contextos específicos, ampliando desafios no controle de doenças transmitidas por insetos.


