Otimismo pode reduzir risco de demência em até 15%, aponta estudo

Pesquisa acompanhou idosos por mais de uma década e associa atitude mental à preservação da saúde cognitiva

Um estudo recente reforça a relação entre saúde mental e envelhecimento ao indicar que o otimismo e demência podem estar diretamente ligados. De acordo com a pesquisa, manter uma perspectiva positiva da vida pode reduzir em pelo menos 15% o risco de desenvolver demência ao longo dos anos.

O trabalho foi publicado no Journal of the American Geriatrics Society e acompanhou mais de 9 mil adultos cognitivamente saudáveis nos Estados Unidos por cerca de 14 anos. A média de idade dos participantes era de 73 anos.

Os pesquisadores utilizaram o chamado Life Orientation Test, um questionário que avalia o nível de otimismo com base em expectativas sobre o futuro.

Entre os pontos analisados estavam afirmações como:

  • “Em tempos incertos, geralmente espero o melhor”

  • “Sou otimista em relação ao meu futuro”

A partir dessas respostas, foi possível medir o grau de otimismo dos participantes e cruzar os dados com a evolução da saúde cognitiva ao longo do tempo.

Os dados indicam uma associação consistente entre níveis mais altos de otimismo e menor risco de demência.

Segundo os autores:

  • Cada aumento de 6 pontos no índice de otimismo foi associado a uma redução de 15% no risco da doença

  • A relação permaneceu mesmo após ajustes para outros fatores de saúde

  • O efeito não foi explicado apenas por sintomas iniciais da doença

Ou seja, o estudo sugere que o otimismo não é apenas consequência de um cérebro saudável, ele pode atuar como fator protetor.

Embora os pesquisadores não apontem uma causa única, algumas hipóteses ajudam a explicar essa relação.

O otimismo pode estar associado a:

  • Menores níveis de estresse crônico

  • Respostas imunológicas mais equilibradas

  • Maior engajamento social

  • Mais prática de atividade física

Esses fatores, combinados, podem contribuir para a preservação da função cognitiva ao longo do envelhecimento.

Apesar dos resultados, os autores destacam que o otimismo não deve ser visto como solução isolada.

A demência continua sendo uma condição multifatorial, influenciada por:

  • Genética

  • Estilo de vida

  • Condições de saúde

  • Fatores ambientais

O estudo amplia a compreensão sobre os chamados fatores psicossociais, mas não substitui cuidados médicos ou outras estratégias de prevenção.

A pesquisa reforça uma mudança de abordagem na ciência: além de fatores físicos, aspectos emocionais e comportamentais também desempenham papel relevante na saúde do cérebro.

Nesse contexto, o otimismo deixa de ser apenas traço de personalidade e passa a ser analisado como um possível elemento de proteção ao longo da vida.

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