A Prefeitura do Rio de Janeiro deu início nesta semana à aplicação de Ozempic no SUS municipal durante a inauguração do Super Centro de Saúde da Zona Oeste, em Campo Grande.
A unidade passa a abrigar o Centro Especializado em Obesidade e Metabolismo, onde foi aplicada a primeira dose do medicamento na rede pública carioca.
O primeiro atendimento foi realizado na paciente Maria das Graças da Silva, de 69 anos, moradora de Santíssimo.
Como a caneta é de autoaplicação, o prefeito Eduardo Paes participou do procedimento e administrou a injeção.
Durante o evento, Paes destacou o impacto do medicamento no tratamento de saúde.
“É óbvio que tem um aspecto que todo mundo presta mais atenção, que é o aspecto estético, as pessoas emagrecerem. E todo mundo gosta de estar em forma. Mas esse é um medicamento que muda a vida das pessoas, pela saúde”, disse.
Em seguida, acrescentou: “Não há custo que possa pagar a economia que a gente vai ter ao longo do tempo na vida, na saúde, na qualidade de vida das pessoas”.
Quem terá acesso ao Ozempic no SUS do Rio?
Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a fase inicial do programa contempla 320 pacientes, todos com IMC acima de 40 e comorbidades associadas, quadro classificado como obesidade grau 3.
A seleção foi feita entre pessoas já acompanhadas pela rede pública de saúde.
A previsão da prefeitura é ampliar o atendimento em até três meses, alcançando 10 mil pacientes acompanhados pelas clínicas da família em diferentes regiões da cidade, desde que atendam aos critérios clínicos definidos.
Paciente relata impacto da obesidade na saúde e na autoestima
Maria das Graças afirmou que convive atualmente com uma série de problemas de saúde relacionados ao peso. “Não é estética, é saúde”, resume Maria, que hoje pesa 140 quilos e convive com problemas de circulação, hipertensão, ansiedade e desenvolveu um quadro depressivo, tudo por conta do peso.
Ela também relatou os reflexos da obesidade no cotidiano.
“No espelho, não gosto do que vejo. A roupa não fica legal. Tenho roupas novas que visto e tiro. Tem uma amiga que fala que só uso cor escura, mas é o que esconde um pouquinho (a barriga). Isso tudo colocou minha autoestima lá embaixo”, acrescentou.
Confira:
Como será a distribuição da semaglutida na rede municipal
A prefeitura informou que, neste primeiro momento, foi realizada uma compra reduzida junto à Novo Nordisk, fabricante do medicamento, para testar e validar o protocolo clínico voltado ao tratamento da obesidade. A estimativa é de cerca de 300 doses mensais.
Os pacientes não poderão levar as canetas para casa. A aplicação será feita exclusivamente no Super Centro de Campo Grande ou nas farmácias das clínicas da família.
Além disso, a gestão municipal assinou um acordo de cooperação técnica com a Novo Nordisk para acompanhar os resultados do tratamento da obesidade na rede pública.
A proposta é reunir dados ao longo de dois anos sobre benefícios à saúde dos pacientes e impactos para o sistema municipal.
A prefeitura também sinalizou que, com a futura queda da patente da semaglutida, poderá realizar nova licitação para ampliar a oferta do medicamento na cidade.
Novo centro de saúde reúne especialidades e reabilitação
O Super Centro de Saúde da Zona Oeste reúne diferentes serviços especializados da rede municipal.
Além do atendimento voltado à obesidade e metabolismo, o espaço também concentra áreas de especialidades, acompanhamento de pessoas com transtorno do espectro autista e serviços de reabilitação.
A previsão é que, futuramente, a unidade também conte com um centro de hemodiálise.
Com 7 mil metros quadrados e funcionamento de segunda a sábado, o equipamento público recebeu investimento de R$ 61 milhões.
De acordo com a prefeitura, os recursos vieram da Câmara Municipal do Rio, que destinou R$ 50 milhões para a construção da unidade e outros R$ 50 milhões para a Secretaria Municipal de Saúde.
Durante a inauguração, o presidente da Câmara, Carlo Caiado, afirmou:
“Isso é resultado de uma gestão responsável dos recursos públicos. Esse dinheiro ajuda a tirar projetos do papel e a ampliar o acesso da população a serviços essenciais”.
Repercussão nas redes sociais dividiu opiniões
O anúncio da oferta de Ozempic na rede pública do Rio gerou reações nas redes sociais, com manifestações favoráveis e críticas à medida.
“Só pra deixar claro: não é sobre ser magra. As pessoas que precisam de verdade terão acesso. Obesidade é uma doença crônica, muito diferente de quem tá usando pra perder 5kg pra entrar no peso que quer”, disse uma internauta.
“Realidade do Rio: sem medicamentos básicos nas CF e médicos de greve”, denunciou uma pessoa.
“Pra quem tá criticando: obesidade é uma doença, não escolha, portanto, pode necessitar que o portador faça uso de medicações!”, defendeu outra pessoa.
“Muito mais barato o governo pagar o ozempic do que pagar todas as comorbidades em saúde relacionadas com a obesidade. Isso é estratégia de gestão econômica do SUS”, disse mais um.
Discurso também teve tom político durante inauguração
Na cerimônia, Eduardo Paes também fez referências políticas ao exaltar o vice-prefeito Eduardo Cavaliere e mencionar temas ligados à gestão estadual.
Em um dos trechos do discurso, afirmou:
“Podem ter certeza que, em breve, essa SuperVia vai funcionar, se é que vocês entendem. Vamos fazer com a SuperVia o mesmo que a gente fez com o BRT, pode anotar”, disse o prefeito ao público presente na inauguração.
Veja a publicação do prefeito do Rio:


