Adolescente de 13 anos morre após ataque de tubarão em praia de Olinda

Garoto foi mordido na coxa na Praia Del Chifre, chegou sem vida ao hospital e caso reacende alerta sobre falta de monitoramento no litoral

Um adolescente de 13 anos morreu após ser atacado por um tubarão na Praia Del Chifre, no litoral sul de Olinda, na tarde de quinta-feira (29).

A vítima, Deivison Rocha Dantas, brincava com amigos no mar quando foi mordida na parte de trás da coxa direita, região onde passam artérias de grande calibre.

Segundo testemunhas, pessoas que estavam na praia retiraram o garoto da água e o colocaram em um carro particular. Ele foi levado ao Hospital Tricentenário, a cerca de 2 km do local do ataque, mas já chegou sem vida à unidade de saúde.

De acordo com o médico Levi Dailton, que atendeu o adolescente, o jovem deu entrada em parada cardiorrespiratória.

“Existe um protocolo de suporte avançado de vida, mas infelizmente não foi possível reverter. Foi um ferimento extremamente grave, com grande perda de sangue”, afirmou.

Análise preliminar do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) indica que o ataque foi causado, provavelmente, por um tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas).

Segundo os pesquisadores, a lesão apresentava 33 cm de diâmetro, o que sugere que o animal tinha entre 3 m e 3,5 m de comprimento.

O ferimento apresentava uma combinação de áreas lisas e retalhadas, padrão compatível com a dentição do gênero Carcharhinus.

A escolha da espécie também se relaciona às características do local. A Praia Del Chifre fica próxima a estuários e desembocaduras de rios, ambientes onde o tubarão-cabeça-chata é comum.

A espécie é conhecida por suportar água doce e já foi registrada até em grandes rios, como o Amazonas.

Área conhecida por histórico de ataques de tubarão

A Praia Del Chifre concentra todas as 6 ocorrências recentes de ataques de tubarão em Olinda. Desde 1992, Pernambuco contabiliza 82 incidentes, com 27 mortes confirmadas.

Apesar disso, moradores relatam que a área estava sem fiscalização ativa e sem plantões do Corpo de Bombeiros no momento do ataque. Embora existam placas fixas alertando sobre o risco, não havia monitoramento contínuo.

No início de 2026, o Cemit chegou a lançar um edital para retomar o monitoramento, mas os trabalhos ainda não estavam em funcionamento.

A prefeita de Olinda, Mirella Almeida, lamentou a morte do adolescente e se solidarizou com a família. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o trecho da praia é oficialmente classificado como “zona de risco”, com restrição ao banho de mar.

Familiares relataram que Deivison saiu de casa sem avisar a mãe para ir à praia com amigos. Ele morava na Ilha do Maruim, comunidade próxima ao local do ataque.

O caso reacende o debate sobre políticas de prevenção, monitoramento costeiro e educação ambiental, especialmente em áreas historicamente associadas a incidentes com tubarões.

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