Um backup armazenado no iCloud, serviço de nuvem da Apple, foi o ponto de partida para uma operação da Polícia Federal (PF) que revelou um esquema de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado mais de R$ 1,6 bilhão.
A ação, deflagrada nesta quarta-feira (15), resultou na prisão de artistas, influenciadores e operadores financeiros, incluindo os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, e o dono da página ‘Choquei’.
Os dados analisados pertenciam ao contador Rodrigo de Paula Morgado e haviam sido obtidos em 2025, durante a Operação Narco Bet, derivada da Narco Vela.
A partir desses arquivos, os investigadores identificaram uma organização criminosa considerada “autônoma e dissociada” da apuração inicial, com atuação voltada à lavagem de capitais em larga escala.
Estrutura do esquema e atuação financeira
A partir dos dados extraídos da nuvem, a PF conseguiu mapear uma rede que operava com diversas frentes ilícitas, incluindo:
- Apostas ilegais (bets);
- Rifas digitais clandestinas;
- Tráfico internacional de drogas;
- Uso de empresas de fachada e “laranjas”;
- Movimentações com criptomoedas e remessas ao exterior.
Segundo a investigação, o grupo utilizava técnicas sofisticadas para dificultar o rastreamento, como fracionamento de depósitos, triangulação de receitas e contas de passagem.
A Justiça autorizou o cumprimento de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal.

iCloud como “mapa” da organização
Os investigadores apontam que o conteúdo armazenado no iCloud funcionou como um verdadeiro centro de inteligência do esquema.
Nos arquivos estavam reunidos documentos como:
- Extratos bancários;
- Comprovantes de transações;
- Conversas;
- Contratos e procurações;
- Registros societários.
Essas informações permitiram identificar conexões entre artistas, influenciadores, operadores financeiros e empresas envolvidas.
Rodrigo de Paula Morgado é apontado como peça central, responsável por operações financeiras, ocultação de patrimônio e intermediação de recursos.
Papel de MC Ryan SP no esquema
De acordo com a decisão judicial, Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, teria atuado como líder e principal beneficiário econômico da organização.
A PF afirma que ele utilizava empresas do setor musical e de entretenimento para misturar receitas legais com valores provenientes de atividades ilícitas.
A investigação também aponta estratégias de blindagem patrimonial, como transferência de bens para terceiros e reinvestimento em:
- Imóveis;
- Veículos de luxo;
- Joias e ativos de alto valor.
Envolvimento de MC Poze do Rodo
Já Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, aparece ligado a empresas que participariam da circulação de recursos oriundos de apostas ilegais e rifas digitais.
Segundo a PF, ele integrava a estrutura financeira do grupo, atuando na movimentação e redistribuição de valores. Uma das empresas associadas ao artista foi incluída na lista de bloqueios judiciais.
Influenciadores e divulgação do esquema
A investigação também aponta a participação de influenciadores digitais na promoção das atividades do grupo.
Eles teriam sido responsáveis por:
- Divulgar plataformas de apostas;
- Promover rifas digitais;
- Auxiliar na gestão de imagem pública.
Entre os citados está Raphael Sousa Oliveira, criador da página ‘Choquei’, apontado como operador de mídia.
Bens apreendidos e bloqueios milionários
Durante a operação, foram apreendidos diversos bens de alto valor, como: Carros de luxo, joias, relógios, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos.
Um dos itens que chamou atenção foi um colar com referência a Pablo Escobar, encontrado na residência de MC Ryan SP.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1,63 bilhão, incluindo valores em criptomoedas em corretoras nacionais e internacionais.
O que dizem as defesas?
As defesas dos artistas informaram que ainda não tiveram acesso completo aos autos do processo, que corre sob sigilo.
A equipe de MC Ryan SP declarou que todas as transações do cantor são lícitas, enquanto a defesa de MC Poze do Rodo afirmou que irá se manifestar após analisar o conteúdo da investigação.
Investigação segue em andamento
A Polícia Federal continua analisando o material apreendido, incluindo novos dados armazenados em serviços de nuvem e dispositivos eletrônicos.
O caso segue sob investigação e pode ter novos desdobramentos nos próximos meses.


