Deputada que fez blackface é suspeita de fraudar o sistema de cotas

Registro eleitoral da parlamentar mostra autodeclaração racial diferente da usada em discurso recente

O caso da deputada que fez blackface no plenário em São Paulo ganhou novos desdobramentos após a confirmação de que a parlamentar estadual Fabiana Bolsonaro (PL) se declarou parda à Justiça Eleitoral nas eleições de 2022. A informação consta no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O dado veio à tona um dia depois de a deputada protagonizar um episódio de forte repercussão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde apareceu com rosto e braços pintados de preto durante um discurso no plenário.

Durante a manifestação na Alesp, Fabiana afirmou ser “branca”, ao criticar a deputada federal Erika Hilton (PSOL), o que intensificou a reação pública ao episódio.

No entanto, registros oficiais mostram que, ao se candidatar, a parlamentar se autodeclarou parda, categoria que permite acesso a recursos específicos dentro do financiamento eleitoral.

De acordo com dados do TSE, a deputada recebeu R$ 1.593,33 provenientes do fundo eleitoral destinado a candidaturas de pessoas negras e pardas.

Esse tipo de repasse segue regras estabelecidas pela legislação eleitoral, que busca ampliar a representatividade racial na política brasileira.

A divergência entre a autodeclaração oficial e o posicionamento recente virou ponto central do debate.

A situação foi amplificada após publicação da deputada estadual Monica Seixas (PSOL), que questionou o caso nas redes sociais.

Segundo ela, há uma contradição entre:

  • A autodeclaração racial feita à Justiça Eleitoral

  • A fala pública recente da parlamentar

  • O uso de recursos destinados a candidaturas negras e pardas

O episódio gerou críticas de diferentes setores e reacendeu discussões sobre critérios de autodeclaração racial no Brasil.

O episódio que deu origem à repercussão ocorreu durante discurso no plenário da Alesp.

Na ocasião, Fabiana Bolsonaro:

  • Pintou o corpo de preto

  • Criticou a eleição de Erika Hilton para a Comissão da Mulher

  • Fez declarações sobre identidade de gênero

A atitude foi interpretada por parlamentares e entidades como blackface, prática historicamente associada a manifestações racistas.

Apesar do sobrenome, a deputada não possui parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Seu nome civil é Fabiana de Lima Barroso.

Ela adotou o sobrenome político por afinidade ideológica com o ex-presidente.

O caso da deputada que fez blackface também reacende um debate mais amplo sobre:

  • Critérios de autodeclaração racial

  • Fiscalização do uso de cotas eleitorais

  • Limites entre identidade declarada e posicionamento público

Até o momento, não há indicação de irregularidade formal no registro da candidatura, mas o episódio amplia a pressão por maior controle e transparência nesses processos.

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