Mulheres de diferentes regiões do Brasil foram às ruas neste domingo (7) em uma mobilização nacional contra o feminicídio e todas as formas de violência de gênero.
Convocados por movimentos sociais, coletivos feministas e organizações da sociedade civil, os atos ocorreram em ao menos 20 estados e no Distrito Federal, segundo o movimento Levante Mulheres Vivas.
O principal lema das manifestações foi “Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas”, entoado em diversas cidades do país.
A mobilização ganhou força após uma série de crimes recentes que chocaram a opinião pública e reacenderam o debate sobre a violência contra mulheres no Brasil.
Atos ocorreram em capitais e cidades do interior
Antes mesmo da data, já estavam confirmadas manifestações em cidades como: São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Manaus, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, São Luís, Teresina e muitas outras em todas as regiões do Brasil.
Dados reforçam gravidade da violência contra mulheres
De acordo com o Mapa Nacional da Violência de Gênero, cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras sofreram ao menos um episódio de violência doméstica nos últimos 12 meses.
Em 2024, foram registrados 1.459 feminicídios no país, o que representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero.
Já em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 1.180 feminicídios, além de registrar quase 3 mil atendimentos diários pelo Ligue 180, segundo dados do Ministério das Mulheres.
Pela legislação brasileira, feminicídio é o homicídio de uma mulher cometido por razões de gênero, como violência doméstica, familiar, menosprezo ou discriminação, com penas que variam de 20 a 40 anos de reclusão.

Protesto em São Paulo reúne mais de 9 mil pessoas
Na capital paulista, milhares de manifestantes se concentraram ao meio-dia em frente ao Masp, na Avenida Paulista. Segundo levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a USP, cerca de 9,2 mil pessoas participaram do ato.
Durante a passeata, cartazes com frases como “Mulheres Vivas” foram exibidos. O protesto também fez referência a dois casos registrados no mesmo dia:
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O assassinato da farmacêutica Daniele Guedes Antunes, de 38 anos, em Santo André
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A morte de Milena de Silva Lima, de 27 anos, em Diadema
Segundo a Polícia Militar, Milena foi atacada pelo ex-companheiro João Victor de Lima Fernandes, de 30 anos. O casal estava separado havia dois meses e tinha um filho.
Durante o ato, a deputada federal Erika Hilton afirmou:
“Todas merecem dignidade, todas merecem proteção. Tomamos a rua para dizer que nenhuma mulher será esquecida”.
Manifestação no Rio destaca números da violência no estado
No Rio de Janeiro, centenas de pessoas se reuniram ao meio-dia em frente ao Posto 5 de Copacabana, na Zona Sul.
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o estado registrou, até novembro de 2025, 79 casos de feminicídio e 242 tentativas.
Na quarta-feira (3), uma mulher identificada como Aline Nascimento foi esfaqueada em Irajá, na Zona Norte, após ataque do ex-companheiro Emerson William Marcolan Lima, contra quem há medida protetiva. Ele já responde por tentativa de feminicídio.
Distrito Federal protesta após crime em quartel do Exército
Em Brasília, o protesto ocorreu por volta das 10h, na Torre de TV. O Distrito Federal já registra 26 casos de feminicídio em 2025, segundo a Secretaria de Segurança Pública.
O crime mais recente ocorreu na sexta-feira (5), quando a cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, foi assassinada por um soldado dentro de um quartel.
O corpo foi encontrado carbonizado, e o caso segue sob investigação.

Santa Catarina homenageia professora vítima de feminicídio
Em Florianópolis, a mobilização começou na cabeceira da Ponte Hercílio Luz e seguiu até o Terminal de Integração do Centro (Ticen).
O ato também prestou homenagem à professora Catarina Kasten, de 31 anos, estuprada e assassinada em novembro durante uma trilha.
O autor do crime foi preso no mesmo dia e responde por feminicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver.
Belo Horizonte cobra justiça em caminhada pelo centro
Em Belo Horizonte, manifestantes se reuniram às 11h na Praça Raul Soares e caminharam até a Praça Sete e a Praça da Estação.
Frases como “basta de feminicídio” e “não me mate” marcaram os cartazes.
O ato fez parte da mobilização nacional “Mulheres Vivas”, com foco na cobrança por políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.
Protestos no Nordeste reforçam cobrança por políticas públicas
Em João Pessoa, o ato ocorreu no Busto de Tamandaré, em Tambaú. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam 26 feminicídios entre janeiro e outubro de 2025 — número superior ao de todo o ano de 2024.
No Recife, cerca de 5 mil pessoas participaram da manifestação. A caminhada começou em frente ao Ginásio Pernambucano e seguiu até o Marco Zero.
Entre os casos recentes lembrados está o assassinato de Isabele Gomes de Macedo e seus quatro filhos, mortos em um incêndio provocado pelo companheiro na comunidade Icauã, na Zona Oeste da capital pernambucana.
Apelo por mudança cultural
Durante a semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo público por um grande movimento nacional contra a violência de gênero, destacando a importância do engajamento dos homens na transformação dessa realidade.



