Polícia pede internação provisória de adolescente suspeito de matar cão Orelha em Florianópolis

Investigação concluiu que cão comunitário foi morto por agressão violenta na Praia Brava; inquérito já foi enviado ao Ministério Público

A Polícia Civil de Santa Catarina pediu a internação provisória do adolescente suspeito de agredir o cão comunitário Orelha, que morreu após sofrer violência na Praia Brava, em Florianópolis.

O jovem vai responder por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos a animal, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O pedido está relacionado à conclusão do inquérito policial, que foi encaminhado nesta terça-feira (3) ao Ministério Público de Santa Catarina.

Por força do ECA, nomes, idades e endereços dos suspeitos não foram divulgados, já que os procedimentos envolvendo menores de 18 anos tramitam sob sigilo absoluto.

O que aconteceu com o cão Orelha

Orelha era um cão comunitário conhecido por moradores e comerciantes da Praia Brava, bairro turístico da capital catarinense.

Segundo a investigação, ele foi agredido na madrugada de 4 de janeiro. Na manhã seguinte, moradores encontraram o animal gravemente ferido.

O cachorro chegou a ser levado para atendimento veterinário, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A morte gerou comoção local e mobilizou protetores de animais, moradores e autoridades.

De acordo com os laudos da Polícia Científica, Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, compatível com chute ou impacto de objeto rígido, como madeira ou garrafa.

O delegado responsável pelo caso, Renan Balbino, afirmou que o adolescente apresentou contradições e omissões ao longo dos depoimentos.

“Em diversos momentos, ele se contradisse e omitiu fatos importantes para a investigação”, declarou.

Segundo a Polícia Civil, imagens de câmeras de segurança mostram que:

  • Às 5h25, o adolescente saiu de um condomínio na Praia Brava;

  • Às 5h58, retornou ao local acompanhado de uma amiga;

  • Em depoimento, ele afirmou que teria permanecido dentro do condomínio, versão desmentida por imagens, testemunhas e outras provas.

“As imagens, as roupas e os relatos confirmam que ele estava na praia”, afirmou o delegado.

No caso de adolescentes, a internação provisória funciona como uma medida equivalente à prisão preventiva aplicada a adultos, mas com regras específicas do ECA.

  • Prazo máximo: até 45 dias, antes da sentença;

  • Finalidade: garantir a segurança, a ordem pública ou a aplicação da medida socioeducativa;

  • Caráter: excepcional e extrema.

Caso o ato infracional seja confirmado, o juiz poderá aplicar medidas como:

  • advertência;

  • prestação de serviços à comunidade;

  • liberdade assistida;

  • regime de semiliberdade;

  • internação em estabelecimento educacional, com prazo máximo de 3 anos.

Em nota, os advogados do adolescente afirmaram que os elementos divulgados até agora são “meramente circunstanciais” e não constituem prova definitiva. A defesa também reclamou de não ter tido acesso integral aos autos do inquérito.

Segundo os representantes legais, a repercussão do caso estaria “politizando” a investigação e comprometendo o direito de defesa, além de gerar exposição pública indevida.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Envie sua notícia!

Participe do OCorre enviando notícias, fotos ou vídeos de fatos relevantes.
Preencha o formulário abaixo e, após verificação de nossa equipe, seu conteúdo poderá ser publicado.