O governo de Goiás sancionou uma lei que reajusta as pensões pagas às vítimas do acidente com Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987. A medida atualiza valores que estavam defasados há anos e amplia o suporte financeiro a pessoas diretamente afetadas pela contaminação radioativa.
O reajuste ocorre em um momento em que o caso voltou ao centro do debate público, impulsionado pela repercussão da série Emergência Radioativa, da Netflix. A produção reacendeu o interesse pela tragédia de 1987 e ampliou a visibilidade das vítimas e das consequências ainda presentes, contribuindo para pressionar por medidas de reparação e atualização dos benefícios.
A nova legislação contempla não apenas os chamados radiolesionados (pessoas que tiveram contato direto com o material), mas também profissionais que atuaram na descontaminação, no atendimento médico e na vigilância dos rejeitos.
Com a atualização, os benefícios passam a ter dois níveis principais:
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R$ 3.242 para vítimas com exposição direta e irradiação mais elevada
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R$ 1.621 para outros beneficiários incluídos no programa
Antes do reajuste, os valores eram de R$ 1.908 e R$ 954, respectivamente.
Segundo o governo estadual, 603 pessoas têm direito ao pagamento atualmente.
A lei inclui diferentes grupos que tiveram envolvimento direto com as consequências do acidente, como:
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vítimas contaminadas pelo material radioativo
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profissionais de saúde que atenderam os pacientes
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trabalhadores que participaram da descontaminação
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pessoas que atuaram na vigilância do depósito de rejeitos em Abadia de Goiás
A atualização ocorre após anos sem correção significativa nos valores.
O episódio com o Césio-137 é considerado o maior acidente radiológico fora de uma usina nuclear no mundo.
Em setembro de 1987, dois catadores encontraram uma cápsula contendo material radioativo em um prédio abandonado de Goiânia. Sem saber do risco, o objeto foi aberto e o pó contaminado acabou sendo espalhado entre familiares e outras pessoas.
A exposição causou sintomas graves e levou à morte de quatro pessoas diretamente, incluindo a menina Leide das Neves Ferreira, um dos casos mais emblemáticos.
A contaminação se espalhou por diversos pontos da cidade, exigindo uma operação emergencial de grande escala, com:
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demolição de imóveis contaminados
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isolamento de áreas inteiras
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tratamento de vítimas em unidades especializadas
Ao todo, toneladas de resíduos radioativos foram recolhidas e armazenadas em Abadia de Goiás, onde permanecem sob monitoramento.
Décadas após o acidente, as consequências ainda são sentidas por vítimas diretas e por profissionais que atuaram na contenção do desastre.
O reajuste das pensões ocorre em meio a uma retomada do interesse público pelo caso, impulsionada por produções audiovisuais recentes que recontam o episódio.
A atualização do benefício é vista como uma tentativa de corrigir distorções acumuladas ao longo do tempo e reconhecer o impacto duradouro do acidente na vida das pessoas afetadas.


