STF autoriza prisão domiciliar de Bolsonaro por até 90 dias para tratamento de saúde

Decisão do ministro Alexandre de Moraes atende parecer da PGR e prevê uso de tornozeleira eletrônica e restrições de comunicação durante recuperação de broncopneumonia

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpra prisão domiciliar por 90 dias para tratamento de uma broncopneumonia. O prazo começa a contar a partir da alta hospitalar.

A decisão atende a um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou favoravelmente à flexibilização do regime devido ao estado de saúde do ex-presidente.

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, em decisão de setembro de 2025, por liderar uma tentativa de golpe de Estado, incluindo crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e danos ao patrimônio.

Recuperação de saúde motivou decisão

Segundo Moraes, o ambiente domiciliar é mais adequado para a recuperação clínica do ex-presidente.

“O ambiente domiciliar é o mais indicado para preservação de sua saúde, uma vez que, conforme literatura médica, devido às condições mais frágeis do sistema imunológico de idosos, o processo de recuperação total de pneumonia nos dois pulmões, com retorno da força, fôlego e disposição, pode durar entre 45 (quarenta e cinco) e 90 (noventa) dias”.

O ministro também destacou que, após o período estipulado, será feita uma nova avaliação para decidir sobre a continuidade ou não da prisão domiciliar.

Regras e restrições durante a domiciliar

Durante o período de 90 dias, Bolsonaro deverá cumprir uma série de medidas determinadas pelo STF:

  • Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
  • Proibição de utilizar celulares, smartphones ou qualquer meio de comunicação, inclusive por terceiros;
  • Vedação ao uso de redes sociais;
  • Proibição de gravar vídeos ou áudios.

Moraes afirmou ainda:

“Demonstra que a concessão de prisão domiciliar humanitária temporária é a indicação mais razoável para a plena recuperação do custodiado e posterior realização de perícia médica para prorrogação do prazo se necessário”.

Estado de saúde e internação

O ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, de 71 anos de idade, foi internado após apresentar um quadro de broncoaspiração, que evoluiu para pneumonia.

Ele chegou a permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular em Brasília.

De acordo com o boletim médico mais recente, divulgado nesta terça-feira (23), Bolsonaro apresentou “evolução favorável” e pode receber alta da UTI nas próximas 24 horas.

O documento informa ainda que o paciente está “estável clinicamente” e que a recuperação segue de forma gradual.

Histórico médico recente

Desde que foi preso, Bolsonaro passou por outros episódios de saúde:

  • Em setembro do ano passado, apresentou vômitos, tontura e queda de pressão;
  • Em janeiro, já detido na Polícia Federal, foi internado após passar mal e sofrer uma queda;
  • Ao longo da detenção, recebeu mais de 140 atendimentos médicos, incluindo acompanhamento diário.

Condenação e cumprimento de pena

O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele estava detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, conhecido como “Papudinha”.

Antes disso, chegou a cumprir prisão domiciliar, mas teve o regime alterado após violar regras judiciais.

Em novembro de 2025, o ex-presidente admitiu ter tentado violar a tornozeleira eletrônica que utilizava, utilizando um ferro de solda para queimar o equipamento.

No início de março, um pedido semelhante de domiciliar havia sido negado por Moraes, sob o argumento de que a medida é excepcional e que não havia, naquele momento, justificativa médica suficiente.

Estrutura da unidade prisional

O local onde Bolsonaro estava detido conta com:

  • Atendimento médico 24 horas;
  • Apoio de fisioterapia;
  • Estrutura adaptada, com barra de apoio e cozinha;
  • Espaço para atividades físicas.

Apesar disso, a defesa alegou agravamento do quadro clínico, o que foi considerado na nova decisão.

A decisão do STF ocorre em meio ao acompanhamento médico contínuo e deverá ser reavaliada após o período de 90 dias, conforme evolução do estado de saúde do ex-presidente.

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