EUA esperam maior atuação do Brasil contra cartéis de drogas na América Latina

País não participou de conferência internacional sobre combate ao narcotráfico realizada pelo Comando Sul dos Estados Unidos

Uma fonte do Departamento de Defesa dos Estados Unidos afirmou nesta quinta-feira (5) que o governo norte-americano espera que Brasil, Colômbia e Uruguai ampliem as ações contra cartéis de drogas na América Latina.

A declaração foi dada após a realização da Conferência das Américas sobre o Combate aos Cartéis, evento que reuniu autoridades militares de diversos países da região.

O encontro ocorreu no quartel-general do Comando Sul dos Estados Unidos, localizado na Flórida.

O Brasil não participou da conferência, que contou com representantes militares de Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

Ausência do Brasil não altera cooperação militar, diz oficial

Segundo um funcionário do Departamento de Defesa ouvido pela CNN Brasil, a ausência de alguns países no evento não representa mudança na relação militar com Washington.

“O fato de alguns países não estarem participando não reflete uma mudança de postura em relação ao relacionamento de defesa”.

O oficial acrescentou que a parceria entre os países segue ativa, com continuidade de exercícios conjuntos e outras iniciativas de cooperação.

“A ausência brasileira não prejudica o diálogo contínuo, os exercícios e outros engajamentos de rotina e atividades essenciais que formam a base da nossa relação de defesa”.

Ainda assim, o representante norte-americano ressaltou que há expectativa de maior participação de alguns países no combate ao crime organizado internacional.

“Esperamos que Brasil, Colômbia e Uruguai façam mais”.

A fonte não esclareceu se o Brasil recebeu convite formal para participar da conferência.

Segundo ele, os países presentes assinaram uma declaração conjunta voltada à cooperação em segurança regional.

Itamaraty ainda não comentou o tema

A imprensa procurou o Itamaraty e a embaixada brasileira nos Estados Unidos para comentar a declaração do representante do Departamento de Defesa e a ausência do Brasil no evento, mas ainda não houve retorno.

Fontes do governo brasileiro afirmaram, entretanto, que o combate ao crime transnacional segue sendo discutido na agenda bilateral entre Brasil e Estados Unidos.

O tema também estaria presente nas conversas preparatórias para uma possível viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington.

Confira:

Diferenças de posicionamento sobre combate aos cartéis

Apesar de uma recente aproximação diplomática, Brasil e Estados Unidos têm adotado estratégias diferentes no enfrentamento aos cartéis de drogas na América Latina.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou atuar como mediador na crise envolvendo Estados Unidos e Venezuela, iniciativa que não avançou nas negociações com autoridades norte-americanas.

Desde o retorno de Donald Trump à presidência, os Estados Unidos intensificaram o discurso e as ações contra organizações criminosas ligadas ao narcotráfico.

Entre as medidas, estão operações militares no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, incluindo bombardeios contra embarcações suspeitas de transportar drogas para território norte-americano.

Operações e cooperação regional

Entre as ações recentes destacadas por autoridades norte-americanas estão a captura, em janeiro, de Nicolás Maduro, acusado pelos Estados Unidos de liderar um cartel de drogas, além da colaboração de inteligência em uma operação que resultou na morte de “El Mencho”, considerado um dos líderes de cartel mais procurados do México.

Após a captura de Maduro, Lula manifestou posição diferente da adotada pelos EUA.

O presidente brasileiro defendeu que a prioridade deveria ser restabelecer a democracia na Venezuela e que eventuais processos contra o líder chavista deveriam ocorrer no próprio país.

O governo brasileiro também classificou como “sequestro” a captura de Maduro durante reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington.

Na ocasião, o representante permanente do Brasil na organização, Benoni Belli, afirmou que os ataques à Venezuela “ultrapassaram a linha do inaceitável”, representando “uma afronta gravíssima à soberania”, acrescentando que não é possível aceitar “o argumento de que os fins justificam os meios”.

Ampliação da presença militar na região

Enquanto isso, os Estados Unidos ampliaram parcerias de segurança na América Latina. Entre as iniciativas recentes estão:

  • Envio de militares ao Equador para operações conjuntas contra o narcotráfico;

  • Acordo com o Paraguai para atuação de integrantes das Forças Armadas e do Departamento de Defesa em ações contra organizações criminosas;

  • Intensificação de operações navais no Caribe e no Pacífico para interceptação de drogas.

A estratégia norte-americana busca fortalecer a cooperação regional no combate ao crime organizado transnacional, tema que permanece no centro das discussões de segurança no continente.

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